segunda-feira, dezembro 08, 2008

16 anos na Educação


Ontem, 07/12, completei 16 anos de trabalho na Educação, e 21 anos de trabalho, no total. Atingi, portanto, a maioridade profissional.
Nesses 16 anos, acumulei a experiência de diversas áreas dentro da educação, da área administrativa a tecnológica, da jurídica a educacional. Desse longo período de aprendizagem, o que mais valorizo é a rede lógica de colegas e amigos que estabeleci, on-line e off-line, dentro e fora de minha escola; depois no núcleo de tecnologia educacional, e, mais recentemente, desde 2005, dentro e fora de meu estado, o Rio Grande do Sul, no país e até no exterior.
Quando vejo jovens com 16 anos ou mais, com atitudes de quem sabe tudo (ou pensam saber), compreendo que o mundo, mais que qualquer educador (professor ou pais), ensinará a estes o caminho das pedras, como me ensinou. Há 16 anos atrás o mundo, a vida, eu mesmo, tudo tinha outra dimensão. A tecnologia educacional, creio, estava restrita às universidades. Microcomputador às empresas. Internet, algo entre governos e instituições de ensino. Enfim, vivíamos na última década do século passado.
Na educação, usando ou não a tecnologia no cotidiano escolar, alguns educadores ainda vivem no século passado, com discursos progressistas e práticas conservadoras e/ou autoritárias, num livre e contraditório trânsito entre "Piaget e Pinochet", dentro e fora da sala de aula e do ambiente escolar. Porém, muitas prádicas pedagógicas eficientes, também surgiram no século passado, inclusive nos primórdios dele. O que importa não é o tempo em si, mas a expriência que esse nos reserva para que valorizemos o que é eficiente e dá bons resultados, e o que é prática antiqüada, inclusive na antigüidade, e que alguns ainda teimam em seguir a risca a cartilha bolorenta.
Educar, mais do que seguir receitas de bolo, é fazer a própria receita, a partir da vivência do professor, enquanto aluno, reavaliando sua postura.
Não creio que tanto o professor deva se adaptar totalmente à realidade do aluno, nem este se submeter a visão de mundo de seu educador. Há que se fazer uma intersecção de mundos, em prol de um ensino de qualidade. E a tecnologia educacional é uma grande ferramenta para efetuar essa transição, tendo o aluno como monitor do professor.
Confesso que continuo em um duplo processo de ensino-aprendizagem, que me ampara nos desafios que surgem a cada ano, pois, seguidamente, ora sou educador de outros educadores, como multiplicador de informática educativa, ora sou aluno de cursos a distância ou na forma presencial, em que acabo vivendo nos dois pólos: aluno-professor, trazendo experiências de ambos para cada lado da fronteira educacional. Inclusive na tecnologia, quando certos alunos me ensinam novos recursos que eles descobrem no mundo virtual e eu procuro adaptá-los para o ambiente educacional.
Quando se faz essa constante transição, até a própria prática pedagógica sofre mutações, pois o educador reavalia sua postura, enquanto "mestre" a partir de sua postura como "discípulo".
Assim sendo, continuarei nos próximos anos aprendendo e ensinando, e transitando em ambos os pólos, pois são essas viagens que me fazem ver a paisagem educacional de outra forma, e refletir sobre a mesma nesse pequeno portal, que é o meu blog.

Observação 1: Colagem digital acima, feita no paint, a partir de duas imagens extraídas da internet, dos endereços abaixo:
http://dedonagarganta.files.wordpress.com/2007/10/cropped-vela-site.jpg (vela);
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/
5/5c/Trs80_2.jpg/250px-Trs80_2.jpg (computador antigo).
Observação 2: Há 16 anos atrás, em 1992, após aprovação em concurso público para a Educação, quando ainda trabalhava na iniciativa privada, os computadores existentes eram similares a imagem acima. A ciência e a tecnologia evoluíram, pena que a devida recuperação das perdas salariais dos educadores públicos continuem perdidas n'alguma máquina do tempo...

3 Comments:

Blogger Robson Freire said...

Olá Amigo Zé Roig

Primeiramente meus parabéns pelo seus 16 anos de magistério. É meu amigo quanta coisa mudou nesses 16 anos e quanta coisa continua no mesmo lugar na sala de aula.

Primeiramente os alunos continuam um atras do outro apesar de todos os estudos e pesquisas que condenam esse tipo de enfileiramento.

Outra mudança foi a introdução das TICs no ambiente escolar, principalmente o computador e a internet.

Mas quando a juventude esta mais aberta, gosta de conversar alguns professores ainda teimam em mandar eles fazerem silêncio.

Adorei a citação, "Na educação, usando ou não a tecnologia no cotidiano escolar, alguns educadores ainda vivem no século passado, com discursos progressistas e práticas conservadoras e/ou autoritárias, num livre e contraditório trânsito entre "Piaget e Pinochet", dentro e fora da sala de aula e do ambiente escolar.", pois ela representa fielmente o que vivenciamos hoje em dia.

Conviver e "trocar figurinhas digitais" com profissionais como você, a Bernadeth Motter, Suzana Gutierrez, Natania Nogueira entre outros que são profissionais que fazem acontecer.

Espero sinceramente nos seus 25 anos de magistério ter um novo discurso.

Uma observação tecnológica: eu comecei a conviver com computadores que nem tela tinham, usava-se cartões perfurados, os logs das maquinas eram impressos em formulário continuo.

É amigo eu vi a roda digital nascer... eu usava internet modo texto(BBS).

Veja é se divirta com o avô da internet(para maiores informações olhe nesse link http://pt.wikipedia.org/wiki/BBS).

Mais uma vez parabéns.

Abraços do amigo

23:14  
Blogger Teresinha Bernardete Motter said...

Zé, meu querido e sempre presente amigo, parabéns pelos 16 anos de magistério. Eu, estou ainda meio "zanzonada" com tudo o que me aconteceu esse ano. Espero ser merecedora desse título.Ele é fruto de tudo o que relatas, aprendizagem, reflexão, contatos, apoio e incentivo de tantos.Robson, tu nunca foste lá no meu blog. Espero tua visita uma hora dessas. Bjs
Berna

13:29  
Blogger José Antonio Klaes Roig said...

Caros amigos, Robson e Bernardete. Esse ano 2008 foi um ano intenso para todos nós, mas acima de tudo, de desafios e reconhecimento. Poder contar com o apoio e a mizade de ambos, sem falar em compartilhar dúvidas, anseios, alegrias e frustrações têm sido uma grande forma de ampliar os horizontes. Cada vez que percebo que meus colegas e amigos se destacam, mais feliz fico, pois na educação, o que penso, não deve existir competição e nem premiação por mérito. O que se deve mais que tudo é incentivar a trocar de experi~encias, a colaboraçaõ em rede lógica ou não; pois só conseguimos evolur como profissionais e como pessoas a partir das experi~encias daqueles que vieram antes de nós, readaptando suas p´raticas ao novo contexto. A vida é intertextual, como sempre digo, e muita coisa aprendo a partir desse constante intercâmbio. Quem vocês , em 2009, consigam mas e mais superar os desafios e incentivar àqueles que convivem direta ou indiretamente com cada um. Os blogs de voc~es estou sempre indicando, junto a de outros amigos e colegas que comigo compartilham suas experiências. Um grande abraço a ambos.

13:42  

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