segunda-feira, dezembro 14, 2009

Cinema e educação II: O último discurso de O Grande Ditador (Charles Chaplin)


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=FPzgq8sNbMI

Vídeo acima, trecho do filme O Grande Ditador, no qual o ator, diretor e compositor Charles Spencer Chaplin, criador do personagem Carlitos, faz um inesquecível discurso.
Fragmento desse último discurso, datado de 1940, utilizei de epígrafe do Trabalho de Conclusão de Curso de minha especialização em Tecnologias da Informação e da Comunicação na Promoção da Aprendizagem (UFRGS-2007), conforme abaixo:

"(...) Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos muito pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência, e tudo será perdido".

CHARLES CHAPLIN, fragmento de O Último Discurso, no filme O Grande Ditador (EUA, 1940).

Realmente, mais do que máquinas, em se tratando de tecnologia educacional, precisamos de humanidade, de valorização do usuário mais do que do maquinário, do trabalho colaborativo entre educadores e educandos. Mediar a informação para que se torne conhecimento mútuo. Incentivar mais a troca de experiências (no mundo real e no digital) e menos a competição. Sem isso, tudo será em vão...
Afinal, apesar dos Tempos Modernos (alusão a outro clássico do cinema e de Chaplin), as máquinas continuam em parte dominando o homem, ao invés do inverso; basta ver que mesmo informatizados ao extremo: bancos, supermercados, shoppings centers etc - cada vez menos com a interação entre seres humanos e seus semelhantes, e sim homens e máquinas -, a qualidade do atendimento não melhorou, as filas não diminuíram, muito pelo contrário. Cada vez mais se fala com máquinas em centrais de atendimento online ou telefônicas, diminui-se as vagas para máquinas biológicas, substituídas por máquinas informatizadas (que não tiram férias, que não pedem aumento de salário nem fazem greve), e não são criadas outras vagas para os seres humanos.
Enfim, longe ainda de um panorama apocalíptico de filmes de ficção científica, como o Exterminador do Futuro e outros, em que as máquinas dominarão totalmente o mundo e declararão guerra à humanidade, temos, como educadores, de encutir nos colegas, nos alunos, seus pais eou responsáveis e na sociedade em geral a ideia real de que as máquinas são e devem ser tratadas apenas como equipamentos, ferramentas, meios de se atingir uma finalidade em comum: o bem comum...
Como Chaplin falou há quase 70 anos (completará isso em 2010!!): "Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos muito pouco."
Máquinas que produzem a abundância para poucos e mantém o controle de muitos (bancos de dados, câmeras de vigilância, etc), deixando na penúnia boa parte da sociedade. mal resolvemos o analfabetismo real e criou-se o analfabetismo digital...
Pensamos, escrevemos, mandamos mensagens de celualr, pelo orkut, e-mails, em demasia, tudo tipo cópia de outros, reencaminhamos "belas mensagens" de terceiros e sequer escrevemos uma linha para alguém que irá receber essas toneladas de mensagens digitais que entopem nossa conta de correio eletrônico. Nunca escrevemos tanto, no mundo digital, e nunca dissemos tão pouco de nós a alguém...
Chaplin, um gênio da sétima arte, deu vida e voz a personagens, gente como a gente, como o genial vagabundo Carlitos, o Garoto, a moça cega e tantas outros, sabendo mesclar com precisão humor, lirismo e crítica social.
Depois de Chaplin, nem o humor nem o cinema foram os mesmos, e percebe-se ecos do genial vagabundo em outros atores e humoristas mundo afora, desde então, de Jerry Lewis e Renato Aragão... Todos eles, seres intertextuais com a vida e obra de Carlitos...
O Cinema é um grande filão a ser explorado no ambiente escolar e existem diversos projetos nesse sentido. Sugiro aos leitores e visitantes dos blogs Letra Viva do Roig e Educa Tube conhecerem dois deles, entre vários:

Cinema no Caldeirão , iniciativa do educador Robson Garcia Freire, multiplicador do NTE Itaperuna - RJ - Brasil e editor do blog Caldeirão de Ideias, premiado em 2008 e 2009 como melhor blog corporativo do Brasil, respectivamente, no Best Blogs Brasil (blog corporativo) e no Top Blogs (tecnologia).
E o Planeta Educação, portal educacional que tem como editor o educador João Luís de Almeida Machado, Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).
No Planeta Educação há um valioso espaço virtual chamado Cinema e Educação para indicar filmes com uma proposta pedagógica de utilização no ambiente escolar. Imperdível. Socializem aos colegas, alunos, pais e amigos este link.

Recentemente, via twitter, minha ex-professora da pós em TICs Promoção da Aprendizagem (UFRGS-2007) Suzana Gutierrez, editora do blog Gutierrez / Su, indicou um link para a Matemática no Cinema (em diversos filmes, vide link abaixo), listagem feita pela Universidade de Harvard.

Mathematics in Movies

http://www.math.harvard.edu/~knill/mathmovies/

Enfim, cinema e educação são duas formas de leitura de mundo.

Observação: Texto originalmente publicado no meu outro log educacional chamado Educa Tube, criado para divulgar vídeos educacionais de e para outros educadores.

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