sexta-feira, janeiro 16, 2009

A política do avestruz: entre o legal e o moral


Ainda sobre o conflito em Gaza, mais alguns dados para reflexão.
Primeiro, em paralelo a ofensiva israelense a Política do Avestruz dos países do tal G-8 (os mais ricos), e, em especial, o governo dos EUA. Acho curioso esse "limbo" político entre um governo em fase terminal (que apóia a intervenção) e um eleito que aguarda silencioso pela posse. Que me desculpe o futuro presidente Barack Obama (que com certeza não é leitor deste blog), que tem depositado em si as esperanças de boa parte do mundo (e a minha também!) em nome de uma mudança radical da política até então adotada por seu país. Espera-se muito: mudanças climáticas, matriz energética, combate à fome, à violência, não-intervenção na soberania das nações, etc.
Porém, Obama, que é um ótimo advogado, prefere também, como bom político, diante de um quadro devastador e humanamente deplorável (que é o massacre em Gaza), fazer como a imagem acima: a "Política do Avestruz", e enfiar a cabeça no buraco e esperar até o dia de sua estreia no cargo mais importante do planeta...
Precisaremos vivenciar na realidade o que o filme O Dia em que a Terra Parou, traz na ficção científica? A descida de algum extraterrestre pra nos puxar as orelhas, pelo jeito...
Esperava-se, ou pelo menos eu esperava, de Obama, uma posição mais contundente.
Sei que legalmente ele só será de fato e de direito o presidente da maior potência do mundo, após sua posse, daqui há mais alguns dias. Jurídica e infelizmente, o presidente é ainda W. Bush, o que significa que em mais 3 ou 4 dias, dezenas, centenas de civis podem morrer na Palestina. Em 21 dias já foram 1.100 mortos, do lado palestino e cerca de uma dúzia do outro lado. O que comprova a desproporção da ação militar.
E o paradoxo de tudo isso é que as 3 mil vítimas do WTC foram fruto de um ataque terrorista covarde, feito por extremistas, que fizeram tudo de forma deliberada mas camuflada. As impactantes cenas das torres gêmeas sendo atingidas, depois caindo, a memória das vítimas emocionou o mundo inteiro.
Por que será que não tem o mesmo tratamento por parte da grande mídia, as cenas atrozes de um país e exército regular, covardemente atingindo locais em se algomeram milhares de pessoas civis e inocentes? Mulheres, velhos, crianças... Força desproporcional, limpeza étnica, queda-de-braço geo-política, enfim, parece que a vida de centenas equivale a de um simples mortal. Uma vida e uma morte deveriam ter sempre o mesmo peso (independente do local que se nasça), assim como a postura discursiva das autoridades, que relativizam seus atos e maximizam as do agressor. Mas quando são o agressor, tudo vem com a desculpa vazia da legítima defesa. Mas, juridicamente falando, até mesmo a legítima defesa, quando é feita de forma mais contundente do que a agressão própriamente dita, configura-se em crime. Crimes contra a Humanidade são os atos do Estado de Israel, juridicamente falando, mas isso, parece que os avestruzes não querem ver...
Sabemos que nem tudo que é legal é moralmente correto. Por sinal, se analisarmos a avalanche de tentativas de criar leis e mais leis em benefício próprio pela maioria dos políticos - e, em especial, os brasileiros -, veremos que nem todo ato moral discutível deveria ter amparo legal (mas acaba tendo). E que o legal, e quase imoral, é vigente e na maioria das vezes de forma retroativa, por conta daqueles que detém o poder das leis e das armas, com todas as vantagens do cargo aos mesmos de sempre...
Muitos políticos confundem deliberadamente, no preenchimento dos cargos existentes e/ou dos por eles criados "a torto e a direito", confiança com competência, o que é raro; confiança com consanguinidade, o que é praxe!!!
Então, como não sou avestruz, prefiro não silenciar diante de coisas que causam-me revolta, dentre elas, esse insuportável "Silêncio dos Justos".
Justiça, Verdade e Dignidade deveriam ser siamesas, mas infelizmente, quase sempre, são separadas já na "maternidade"...

Observação: Imagem acima (sem título), extraída da internet, do endereço www.openad. net, de Shutter & Mouse/Corbis.

Observação 2: Após a publicação desse post, pela imprensa, soube de dados mis alarmantes. Além do placar sinistro de 1.100 mortos na Palestina versus 13 em Israel; há um levantamento preliminar de um custo de cerca de 2 bilhões de dólares (isso mesmo!!!), com a guerra, envolvendo armamento, cmbustíveis, alimentação do exército israelense; mais: o custo da destruição, do lado de Gaza é de cerca de 1,4 bilhão de dólares. Não é preciso nem dizer quem fará a reconstruçaõ dessa destruição. Se for o mesmo modelo do Afeganistão e do Iraque, empresas do "consórcio" invasor e destruidor, farão outra guerra, dessa feita nos bastidores, para ganhar contratos bilionários! Nada mais me surpreende na vida, exceto se Klaatu e seu robô gigante sairem da tela dos cinemas e pousarem em algum lugar.
Em tempo: Usar esses bilhões para construírem casas e dar alimentação, sapude e educação, retirando do extremismo futuro dezenas de crianças, isso nenhum país "desenvolvido" cogita. Parece com a política de segurança pública na maioria dos países abaixo do Equador, que preferem investir em repressão e nunca em prevenção...

3 Comments:

Blogger Lene Leros said...

Zé, gosto mt d ler o q vc escreve, por isso escolhi o seu blog p levar o selinho do Prêmio Dardos.
Vá até nosso blog e entre nessa!
http://ntescs.blogspot.com
Vc merece!
Grande abraço.

21:47  
Blogger José Antonio Klaes Roig said...

Oi, Lene. Brigadão pelo Prêmio dardos, esse reconhecimento dos amigos e colegas é um incentivo para a gente continuar sempre relfetindo sobre o mundo que nos cerca. Vou passra lá sim, brigadão, miga. Um abração.

22:04  
Blogger Robson Freire said...

Olá amigo Zé Roig

Que reflexão bem feita. Mas hoje é isso que está acontecendo no mundo moderno. O G8 é sua politica de manter a todos dependente deles e com isso poder fazer o que quiser no mundo.

Quanto ao Sr Obama está me saindo como um verdadeiro politico brasileiro que vemos diariamente na TV. Era promessa de campanha dele fechar Quantanamo e agora ele diz que não é bem isso que ele falou. Te parece familiar?

Não sei se o alienígena do filme O dia em que a terra parou daria jeito o do filme Independence Day ou do A Gerra dos Mundos seriam os mais indicados.

Enquanto os USA precisarem de Israel para manter os muçulmanos sobe o seu jugo ele não fara nada.

Abraços

00:34  

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