terça-feira, maio 27, 2008

Uma bagunça organizada...


Hoje, pela manhã, ouvi de um colega uma expressão que tive que anotar pra depois comentar no blog: "Uma bagunça organizada". Estávamos com um grupo de 30 educadores discutindo tópicos sobre um projeto envolvendo educação ambiental, que no momento oportuno tecerei mais detalhes, e Igor comentou da necessidade de, diante de muitas idéias interessantes, estabelecermos critérios de sistematização da dita "bagunça organizada". Aquela expressão me remeteu instantaneamente à imagem que alguém pode ter de minha prática educacional, se estiver fora do contexto que utilizo, junto com minha colega Janaina, no NTE Rio Grande/18ªCRE, para desenvolver projetos de aprendizagem com alunos do ensino regular e da educação especial. Se fosse num ambiente de Reality Show, e alguém de fora da educação ou mesmo dela, que não utilizasse como referencial teórico e prática escolar, bases do construtivismo, principalmente quanto aos princípios da flexibilidade cognitiva e da aprendizagem significativa, estranharia o fato dos alunos levantarem-se constantemente, indo sentar ao lado do colega que encontra dificuldades ou desconhece a sistemática de um jogo educacional, de algum software pedagógico ou não, de algum recurso tecnológico que usamos na prática escolar. Tal situação ocorre quando no segundo semestre de cada ano estabelecemos, além dos cursos de capacitação continuada em informática educativa com professores da rede pública estadual, também parcerias com professores de algumas escolas (em especial a EEEF Barãod e Cêrro Largo onde está implantado o NTE) e suas turmas, no uso do laboratório de informática.
Aqueles professores mais conservadores que não gostam que falem em aula, sem antes levantar a mão, que o aluno fique estático, em fila, quase robotizado, antes mesmo do advento da informática no ambiente escolar, não concordará com nossa postura. Mas, logicamente, nossa prática encontra suporte teórico, além de planejamento e adequação dos recursos tecnológicos para uma atividade específica. A aparente bagunça tem uma boa organização. Tudo depende da articulação, não apenas de saberes, mas de educadores e seus alunos, que interagem de forma colaborativa, tanto na pesquisa como na produção de conteúdos, que podem ser uma história em quadrinhos, uma apresentação de slides, o uso do Google Earth, etc. Para quem está de fora, pode parecer uma bagunça mesmo, mas afirmo que é uma bagunça organizada, em que todos interagem e atuam como sujeitos e agentes da aprendizagem.
Observação: Foto acima, eu e meu filho Allan (3 aninhos), e a bagunça organizada de minha escrinhaninha e estante em casa, com pilhas de livros do mestrado em Letras, outros livros, papéis, revistas, jornais sobre tecnologia, história, etc. Enfim, uma quantidade de coisas que se alguém tirar do lugar eu não me acho mais. Ou levo uma eternidade pra reencontrar. Mas nessa bagunça, por incrível que pareça, eu sempre me encontro, desde que o Allan (nome dado em homenagem ao escritor Edgar Allan Poe) não resolva brincar, rabiscando e recortando (aiaiaiai) o meu material. Por isso a pilha sobre a estante (do outro lado, fora do foco) está quase atingindo o teto do apartamento. Risos.

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