quarta-feira, setembro 05, 2007

Paradoxos da modernidade


Ao trabalhar com capacitação de professores da rede pública estadual (RS), com cursos de informática educativa, além de alunos regulares e portadores de necessidades educativas especiais (PNEE's), em projetos de aprendizagem, ambos em laboratório de informática do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) Rio Grande/18ª CRE, percebo claramente três grupos distintos, em que tenho como desafio tornar atrativo algo que para eles é, respectivamente, desconhecido, corriqueiro ou inacessível. Explico: na abordagem com os professores, preciso atraí-los para algo que desconhecem, em sua grande maioria, ora por serem de uma geração que não conviveu diretamente com a tecnologia, como a atual, ora pelo receio da novidade, encarando a informática como um bicho-de-sete-cabeças... Já os alunos regulares, têm com a tecnologia e a informática uma relação epitelial, como uma segunda pele, e como costumo brincar: a próxima geração talvez já venha conectada à mãe com um cabo USB, ao invés do cordão umbilical, tamanha destreza no trato da tecnologia de ponta, mais que qualquer professor, inclusive de informática. Mas falta a eles a maturidade pra usar a informática além da brincadeira, do jogo, do sentido lúdico. Por fim, os PNEE's, em sua maioria, excluídos do processo educacional convencional, lutando por si próprios ou por seus pais, responsáveis ou entidades afins para incluí-los, primeiro, com caráter social, de cidadania, depois educacional e digital. Para esses, a tecnologia e a informática, em específico, são coisas inacessíveis ao seu cotidiano. Se dadas as mesmas chances, gratas surpresas podem accontecer, como eu percebo nos projetos que coordeno com a Educação Especial, apoiado pelas professoras de cada área: surdez, visual, mental, altas habilidades.
O grande desafio da modernidade, seja na educação, na ciência e na tecnologia, é incluir tanto professores como alunos num mesmo ambiente, seja convencional como digital, em que ambos se sintam atraídos pelo ensino-aprendizagem compartilhado, em que ninguém deverá dominar o conhecimento, apenas mediar a troca de experiências entre o ensino formal e o conhecimento prévio que cada um traz de casa. Afinal, na contemporaneidade, todos devemos pensar e agir como aprendizes, pois o que era novo ontem, hoje pode não ser mais. Quando pensamos dominar o sistema operacional Windows 98, logo chega o 2000, NT, XP, agora já veio o Vista, logo terá outro, e outro, e outro, e por ai vai ad infinitum. O século XXI, veio para deixar claro esses paradoxos, e para propor outras formas de aprendizagem. Querer continuar sendo tradicional no que já é ultrapassado, é uma temeridade para consigo e aos que dependem deste educador. Mas também não entremos numa corrida alucinada pela tecnologia de ponta. Sempre digo que a máquina é ferramenta, e como tal deve ser pensada. Não é a tecnologia que mudará a prática escolar, e sim o professor e sua forma de ver e pensar o mundo. Muitas das teorias educacionais, principalmente as que uso no laboratório de informática (Aprendizagem Significativa e Flexibilidade Cognitiva, dentre outras...), foram pensadas nas primeiras três décadas do século passado, e encontram-se atualíssimas muitas delas. De nada adianta ter uma teoria avançada desconectada de uma prática emancipadora. Mais que um paradoxo, um grande desafio a ser superado, de forma compartilhada. O professor precisa conversar com outros profesores, e acima de tudo com seus alunos também. O diálogo sempre foi e sempre será o melhor caminho pra resolver qualquer questão, simples ou complexa, seja entre pais e filhos ou professores e alunos.
Observação: Imagem extraída da internet, página www.deviantART.com, de autoria de Shimoda7.

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