quinta-feira, abril 09, 2009

Mundo sem fronteiras, criatividade sem limites



TIM - Alguma coisa esta acontecendo 2 - Novo comercial

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=vNXwxEgHBIo

A propaganda parece ser mesmo a alma do negócio. Os educadores precisam aprender a divulgar seus projetos, atividades, prêmios como forma de incentivar a outros professores a mostrarem experiências exitosas que poucas vezes são destacadas no horário nobre. A internet, o blog, orkut, msn, e-mails são ferramentas para isso. Saber utilizá-las - além do envio das inúmeras mensagens com apresentações de slides de terceiros, em anexo, sem sequer uma pequena resenha para o destinatário do que se trata - é o grande desafio de se propagandear atividades escolares que dão certo e merecem ser conhecidas e replicadas no ambiente escolar.
Há quem diga que o poder da imagem equivale por mil palavras. Eu já penso que depende muito da imagem e logicamente das palavras. Juntar imagens belas e palavras bonitas sem que haja uma significação para quem assisti, apenas para seu criador, não produz significação social.
Porém, é inegável o poder de imagens que se encaixam como uma mão em uma luva, como no caso do comercial de empresa de telefonia, acima, que está no YouTube, e foi-me indicado pela colega e amiga Elis Zampieri, educadora e editora do blog Sobre Educação.
Depois vi o mesmo vídeo no blog Mulher é desdobrável. Eu sou, da colega Tatiane Martins.
No referido vídeo, mostra a questão do mundo sem fronteiras, slogan da própria empresa, apresentando diversas personalidades que superaram preconceitos e os próprios limites e hoje são ícones, paradigmas de pessoas empreendedoras, vencedoras e de sucesso e reconhecimento planetário. Na maioria dos casos, foi a criatividade e originalidade de seus atos que levaram ao reconhecimento mundial.
Mas o que me chamou atenção mais ainda foram as frases abaixo, principalmente a última delas que se encaixa muito bem na tecnologia educacional e na educação em geral:

O sofá da sala não é mais o único local pra assistir TV.
As fronteiras estão se abrindo.
É isso que está acontecendo.
E toda banda larga será inútil se a mente for estreita
.

Realmente, de que adianta ter banda larga, lousa mágica, datashow e toda a parafernália tecnológica de última geração na escola se o professor conservador não muda sua prática, e quando muito apenas adapta-a ao novo veículo?
De fato: não apenas a banda larga, mas toda e qualquer parafernália eletrônica será inútil se a mente for estreita e atuar apenas com o enfoque de reproduzir ipis litteris aos coisa sem dar sua intervenção peculiar ou sem criar em cima disso uma nova proposta. Refletir sobre algo sem mudar sua forma de ver o mundo não alargará o próprio processo de aprendizagem, seja escolar ou outro qualquer.
Uma discussão que tenho acompanhado na lista de blogs educacionais, e que me foi repassada também pelo colega e amigo Robson Freire, educador e editor do blog Caldeirão de Ideias, trata justamente disso, sobre a arquitetura do espaço escolar e o papel social do educador no século XXI.
A pedido de Robson, fiquei de preparar um texto, que ainda está em fase de gestação. Claro, não levará 9 meses pra nascer, mas preciso analisar diversos aspectos da questão, como contribuição, junto a outros educadores, nessa discussão salutar e necessária.
Preliminarmente, penso que o espaço de sala de aula e do laboratório de informática, como da bioblioteca escolar é indiferente se a prática for a mesma. Não é pelo fato de alunos estarem dispostos em fileiras, como séculos atrás, quando surgiu o modelo que até hoje vigora, que vá dificultar o processo de ensino-aprendizagem se o educador souber ser um mediador e promover as trocas, não apenas de experiências dele com seu aluno, mas dos alunos consigo e com seus colegas... Dispor mesas e cadeiras em círculo não faz por si só que a prática escolar seja libertária ou menos conservadora. Eu, particularmente, no projeto de aprendizagem (PA) que desenvolvi em parceria com a professoras Jane Degani, com alunos da educação especial, área de deficiência mental (2ª série DM), e que foi objeto de meu TCC na especialização em TICs na Promoção da Aprendizagem (UFRGS-2007), adotei 4 espaços distintos para minha prática escolar: o laboratório de informática do NTE Rio Grande, a sala de aula da professora parceria, a biblioteca escolar e a saída de campo. Trabalhamos com a teoria (construtivista, da flexibilidade cognitiva e aprendizagem significativa) e a prática em espaço diferenciados com o grupo Água (minha colega Janaina coordenou o grupo Energia), utilizando a tecnologia educacional como suporte para fundamentos de educação ambiental na educação especial. Os resultados foram surpreendentes. E podem ser visto no endereço abaixo:

http://janainaejose.pbwiki.com/

Nesta página (wiki) estão incluídas fotos, arquivos de som, imagens capturadas pelos alunos em sua pesquisa sobre os temas Água e Energia e a reflexão dos educadores, no Diáriod e Bordo, durante a atividade.
Em cada ambiente, dos 4 utilizados, a prática escolar era diversa, propondo formas diversas de pesquisar e abordar um mesmo tema.
Quanto ao papel social do educador, deve ser pensado em conjunto com o papel, social de gestores escolares, pais e responsáveis e todos os componentes da comunidade escolar. Essa questão já analisei em artigos de opinião e alguns posts neste blog.
Voltarei a ela mais detidamente num próximo post.
Retornando ao vídeo acima, realmente está acontecendo algo no mundo, além de se globalizar as economias, precisamos globalizar as experiências exitosas num mundo sem fronteiras em que a criatividade não tem limites e é justamente o diferencial em tanta coisa repetitiva, repassada por email sem maiores comentários de quem envia.
A imagem que mostra que o sofá da casa não é mais o único local para se assistir TV, com um jovem assistindo seu programa preferido através do celular dentro de um ônibus é emblemática dessa mudança de paradigma. Não importa o espaço, o importante é a atividade em si. Pode-se e deve-se educar em qualquer parte, todos são educadores, cada qual em seu papel social de estimular o que chamo de "A pedagogia do exemplo". Os jovens são o nítido reflexo do que veem nos adultos. Cada um de nós, seja apenas pai ou professor, deve ter em mente que é um educador nato, e que seu exemplo repercutirá no espaço social onde convive, de forma positiva ou negativamente. A lógica da criança funciona em rede (compartilhando seus saberes com os outros), conectada ao que vê e ouve, fazendo suas próprias conexões. E se o adulto diz algo mas faz o inverso, fica difícil querer que o aluno aceite esses valores invertidos.
De nada adianta ter laboratório de informática com banda larga numa escola se a mente estreita (não por ignorância mas por preconceito e desconhecimento) impede o uso dos mesmos, por medo de danos, proibe o uso de blogs, msn, orkut, emails, pois acredita que isso é só brincadeira.
Sou defensor de um responsável técnico pelo laboratório de informática para instalação de programas, sugestão de outros, revisão das máquinas. Mas o responsável pelo uso do ambiente digital DEVE ser o professor, e não tercerizar sua responsabilidade a um técnico. Também sou técnico, além de multiplicador em informática educativa, mas essa combinação de duas funções é prejudicial a ambas, pois se há muitas possibilidades de uso das tecnologias com o aluno, há tantas mais do técnico para indicar ao professor. Fundir as duas funções numa só pessoal, somente é admissível, e mesmo assim, de forma provisória, quando na falta de recursos humanos para dividir tais atribuições.
O mundo é sem fronteiras graças a esses mecanismos que os alunos dominam de forma umbilical (celular, câmera digital, scanner, PC, internet, msn, orkut, chat, blogs, emails, etc), e cabe ao professor procurar forma de utilização desses recursos de interação e convergência no seu fazer pedagógico, tendo o aluno como seu parceiro, pois ele domina melhor a tecnologia do que qualquer adulto, como não canso de salientar. Se as máquinas necessitam constantamente de "upgrade", o professor, seja em sala de aula, setor ou gestão escolar deveria também constantemente se atualizar. E essa atualização não precisa ser necessariamente através de pós-graduação, especialização nisso e naquilo. Precisa conhecer "o mundo sem fronteiras" de seu alunado, para com base nisso, estipular sua forma de abordagem dos conteúdos e competências de sua disciplina; e pensar as estratégias de gestão do espaço escolar integrado entre o teórico (sempre avançado) e o prático (ainda em parte na contramão do processo de globalização da informação). Hoje é possível, graças a um computador conectado a internet saber de projetos de ensino-aprendizagem mundo afora, independente da língua utilizada na página ou blog, pois existem ferramentas de busca e tradução, facilitando a compreensão do que está exposto. Portanto, se esse mundo velho sem porteira (ditado popular no Rio Grande do Sul, Brasil), está cada vez mais amplo e aberto à criatividade, temos que saber a forma adequada de usá-la nessa infinidade de possibilidades no meio escolar.
E se a conexão for estreita, lenta, passemos para o "plano B", usando a biblioteca escolar, saídas de campo, não fiquemos também tão dependentes da tecnologia, mas fiquemos compremetidos sim com a educação independente do meio e espaço que usemos.

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