quinta-feira, setembro 25, 2008

Telecentro de Inclusão Digital Judith Cortesão


Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas juntamente com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) inauguraram nesta terça-feira, 23/9, o Telecentro de Inclusão Digital Judith Cortesão.
Foi um evento em que estiveram presentes diversos convidados, como a profª. Glacy Canary, Coordenadora Regional de Educação da 18ªCRE; o prof. Lauro Barcellos, diretor do Museu Oceanográfico/FURG, entre outros.
Tive o duplo privilégio, como ex-aluno do curso de Secretariado, do antigo Colégio Estadual Getúlio Vargas, hoje Escola Técnica Estadual, e também como integrante do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) Rio Grande/18ªCRE.
Todas as falas foram motivadoras: do prof. Enilson Pool, diretor da escola; do prof. Luiz Guilherme Fogaça, idealizador do telecentro; do representante do Serpro; das profªs. Glacy Canary (CRE) e Dulcinéa Castro (coord.NTE). Mas a mais motivadora de todas foi a do prof. Lauro Barcellos, grande amigo e ex-aluno de Judith Cortesão, "uma das mais respeitadas ambientalistas do mundo", falecida em 2007, aos 92 anos de idade.
Depois da cerimônia de descerramento de placa comemorativa, conversando com Enilson e Fogaça, eles comentaram que aquela fala (do Lauro) foi única e realmente motivadora. Reproduzir aqui, neste espaço, as imagens e mensagens que ele disse aos presentes no evento, seria uma tarefa inglória para mim. Talvez nem ele mesmo pudesse reproduzir (segundo Enilson) aquela fala, dada a emoção do momento. Mas o que presenciaram emocionados ficaram, assim como o próprio Barcellos. Não era para menos.
Mas o que mais marcou-me foi ele destacar a importância do projeto do Telecentro de Inclusão Digital Judith Cortesão, pela relevância de sua propostas e objetivos, mas também pela questão da importância de se ter na vida humildade e acima de tudo modéstia. Como ele colocou apropriadamente: "Humildade deixemos para os santos, mas para nós humanos reservemos a modéstia em nossas ações".
Naquele instante, lembrei nesta questão de modéstia do próprio professor Fogaça, um dos idealizadores do projeto telecentro, um professor reconhecidamente competente, tanto por alunos como seus colegas. Um professor que foi inclusive meu companheiro/formador de curso de capacitação e inclusão digital em projeto desenvolvido, em 2007, em parceria com o CPERS/Sindicato, durante dois sábados inteiros, em que eu e ele nos revezamos em duas turmas de mais de 30 alunos, todos eles funcionários de escola, em sua esmagadora maioria que jamais tiveram acesso ao uso de computador. Uma parte do referido curso foi desenvolvida no NTE, pois a escola estava com problemas na internet, e a outra parte nos laboratórios da Escola Getúlio Vargas.
Lembro-me da paciência, calma e tranqüilidade de Fogaça. Uma pessoa daquelas que na primeira vez que se conhece já se fica amigo, justamente pela sua modéstia e humildade. Um professor com currículo e capacidade invejáveis, mas que tem o despreendimento necessário àqueles que se propõem educar alguém. Eu, particularmente, também precisei me superar nesse curso, pois estavam ano passado, trabalhando manhã e noite, e cursando os créditos do mestrado a tarde. Os sábados eram dias importantíssimos, juntos ao domingo pra colocar as leituras atrasadas em dia. Mas foi um desafio superado, em parte, graças ao apoio do Fogaça.
Recordo-me que foi um curso desgastante e gratificante ao mesmo tempo. Paradoxal? Isso mesmo. Na vida, há momentos assim, e aquele foi um desses, pois tínhamos mais de 60 alunos, a maioria sem conhecimento algum sobre informática, as máquinas eram obsoletas e cada laboratório de informática (eram dois) possuía mais de uma versão do sistema operacional Windows instalado. Imagine só com excesso de alunos e máquinas diferenciadas tentar padronizar um curso. Mais, calejado da evasão/desistência de alunos/cursistas, pensei que os 34, 35 alunos/funcionários de cada turma não viriam todos. Ledo enganam. Vieram sim. Risos. Mas logo cada um foi pra sua turma e começou a fluir as atividades, contando com o apoio e a atenção dos cursistas, e de colegas que se prontificaram sendo cursistas tambéms erem nossas monitores, como Lílian, Angela e outras que a memória escapou o nome. Aqueles que tinham alguma noção sentavam junto dos que nada sabiam, e a coisa toda aconteceu, depois do agito inicial, num verdadeiro mar da tranqüilidade e até boas risadas pudemos dar durante as atividades diante do microcomputador.
Ano passado, eu, humildamente também, não dominava tanto a planilha de cálculos como o Fogaça, e nessa parte do conteúdo trocavámos de turma. Este ano (2008), num exercício de modéstia e humildade, Fogaça que é um grande conhecedor de informática, inscreveu-se para ser cursista no NTE, no curso de Introdução à Educação Digital/Proinfo-MEC, tendo como sua professora a colega Janaina, e eu eventualmente dando um apoio. Fogaça é daqueles educadores que sabem que só se pode ensinar quando se quer aprender sempre. Educar é uma mão de sentido duplo, não apenas ensinar, mas estar sempre apto a querer aprender algo novo. Para ele, o Linux Educacional é uma novidade. Que seu exercício de modéstia seja um belo exemplo a todos aqueles que acreditam que sabem tudo. Sabem até as respostas para as pergunats que ainda nem foram feitas. Como eu digo para meus amigos: "A única certeza que trago sempre comigo é a de que dúvidas sempre terei na vida, enquanto vivo e motivado estiver..."
Ao ver, no dia da inauguração, o moderno laboratório recebido pela escola do Proinfo/MEC, com a tecnologia wireless, e o telecentro, vindo do Serpro, fico extremamente satisfeito pelo empenho daquela comunidade escolar. Eu, como ex-aluno, sabedor que o escritor que há em mim iniciou no Colégio Getúlio Vargas seus primeiros passos e primeiras premiações, fico duplamente satisfeito, pois me senti de novo em casa. E, parte do que hoje sou, devo àquela escola, que contribuiu e muito em minha formação profissional e cidadã. Parabéns então aos professores, alunos e comunidade escolar; e, em especial, ao Fogaça, pela sua dedicação, despreendimento, e, acima de tudo, modéstia em suas dignificantes e significantes ações para a sua comunidade e seu mundo.
Maiores detalhes sobre esta iniciativa, leiam no link abaixo:

Telecentro irá oferecer acesso livre à internet para a comunidade

Observação: Imagem acima, do prof. Fogaça no telecentro. Fotografia de Deyver Dias, do Jornal Agora (www.jornalagora.com.br), extraída do endereço
http://www.jornalagora.com.br/site/index.php?caderno=19¬icia=55914

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