terça-feira, setembro 16, 2008

O efeito S1m0ne...

Conheço Robson Freire, editor do blog Caldeirão de Idéias, há pouco mais de um ano (se não me falha a memória RAM), mas já temos uma grande amizade e um sólido coleguismo. Seguidamente trocamos experiências e idéias através dos blogs. Antes, era eu que servia de referência a ele, mas já faz um bom tempo que alguns posts meus têm sido pautados pelos temas levantados por meu amigo virtual. O que vou abordar neste post é justamente um deles. Tempos atrás, Robson tocou na questão dos cuidados que o internauta deveria ter ao se expor na rede mundial de computadores... Eis link do tema logo abaixo:
Muita gente, de fato, se expõe demais, informando passo-a-passo de sua rotina, fornecendo detalhes de seu cotidiano, sem certos cuidados. Orkut, msn, chat, blogs, fotologs e tudo mais são grandes ferramentas de divulgação de projetos mas também de excesso de exposição. Todavia, o bom-senso deve ser o guia do internauta, preservando sua privacidade contra os paparazzi virtuais, que rondam o ciberespaço atrás de dados, copiam fotos, criam perfis e se passam por nós, comprometendo-nos ou prejudicando-nos. Todo cuidado é pouco, eu sei. Entretanto, com essas reservas, nada impede que se coloque fotos e dados que não causem prejuízos a ninguém. Senão, também não haverá sentido de usar um blog educacional.
Há uma visível paranóia virtual. Já não sabemos se aquelas correntes são de fato apenas correntes, ou vírus travestidos para nos fazer cair em tentação.
Eu, particularmente, tenho como regra, mensagem remetida sem sequer uma linha de seu autor sobre o que se trata, vai direto para o lixo. Meu tempo é precioso demais para perder com coisas que não sei a procedência, ainda que repassada por amigos sem má-fé.
Contudo, ao contrário da alta exposição, o que também tenho percebido é o efeito inverso, que batizei justo de S1m0ne, referência direta ao filme de mesmo nome, estrelado por Al Pacino, em que literalmente o produtor de cinema desempregado utiliza um programa altamente sofisticado que dá vida a um ser digital (uma bela atriz) que se torna mania mundial. S1m0ne (e o 1 e o zero no nome não é mera coincidência e sim explícita referência ao código binário, base da informática) é uma atriz totalmente gerada por bits e bytes. E quando a personagem de Pacino resolver se livrar do indesejado programa, jogando o painel de controle no mar, as imagens são capturadas e seu suposto assassinado preso. O resto, deixo para quem se interessar em ver esse criativo e original filme que trata da questão da informática no cotidiano...
Trazendo essa metáfora do mundo virtual para o mundo real, quantas S1m0nes existem por ai, e a gente nem se dá conta? Na própria internet, pessoas criam perfis, álbuns de imagens, entram em chats, MSN, criam blogs, divulgam sua vida, mas como poderemos ter certeza de sua existência de carne e osso além da vida digitalizada? Se tudo não é impostura de alguém, por brincadeira ou má-fé?
Há pouco tempo atrás me dei conta que acompanhava pela internet a produção de uma dessas S1m0nes e não sabia quase nada dela: nome completo, cidade, idade, profissão, etc. Tudo um imenso desconhecimento... Quem pode afirmar que não existam outras e outros S1m0nes por ai, se passando pelo que não são? Não que isso seja problema, pode ser apenas excesso de zê-lo em não se expor demais. Mas, por outro lado, também pode ser que tudo não passe de um pseudônimo ou de uma personagem digital criando vida real. Se for apenas uma idéia criativa, menos mal...
Por isso, sempre é bom dar-se conta que o efeito S1m0ne existe e é mais comum do que a gente pensa. Qualquer um pode criar um blog, por exemplo, com perfil, foto, dados, produção e não se saber por muito tempo que é o homem/mulher por trás do ser digital que usa o ciberespaço. E esse ser digital se relaciona com seres biológicos do outro lado da tela...
Nesse caso, a própria questão da autoria fica comprometida, pois não se deve colocar em trabalho sério de pesquisa dados que não são passíveis de autenticação. Como digo, qualquer um pode criar um(a) S1m0ne e todos acreditarem piamente na sua vida e suas opiniões. Por isso, melhor sempre tentar confirmar dados produzidos por páginas em que S1m0nes são editore(a)s.
Outro efeito Simone - esse sem o código binário, e longe da questão tecnológica - é o produzido pela cantora baiana de mesmo nome, que dá uma nova roupagem e textura a diversas músicas. Por exemplo, a canção Será, da banda Legião Urbana era um rock muito legal, de minha juventude; depois virou um pagode embalado do grupo Raça Negra, mas o arranjo musical que a verdadeira SIMONE fez deu cara e alma incrivelmente bela à letra, valorizando ainda mais a poesia contida e subentendida na mesma, de autoria do saudoso Renato Russo. Infelizmente não encontrei vídeo da música Será, cantada pela Simone biológica tampouco pela digital. Se alguém encontrar, por favor, mande o link da canção. Obrigado.
Observação: Imagem acima, referente material promocional do filme S1m0ne, exgtraída da internet, do endereço www.king93.blogfa.com/post-97.aspx.

1 Comments:

Blogger Robson Freire said...

Olá amigo

Postei hoje um texto do Gabriel Perissé sobre que todos os professores deveriam ver mais filmes.

Eu e você dentro de nossas limitações de tempo estamos sempre vendo filmes e lendo algum livro, mesmo que os mesmos não sejam parte de algum projeto ou trabalho.

Vira e mexe estamos usando filmes como referencia a nossas postagens ou usando livros que lemos como referenciais para temas ou discussões virtuais ou reais.

A postagem é uma homenagem a ti amante da 7ª arte e a todos que como nos compartilham deste "vício" maravilhoso que enrique a nossa existência.

Abraços

12:39  

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