domingo, setembro 21, 2008

O jogo da memória

Enfim, após muitas leituras, iniciei neste fim de semana o esboço de dissertação do Mestrado em Letras (área História da Literatura), em que analisarei a autobiografia de Érico Veríssimo, intitulada Solo de Clarineta, volume I. Veríssimo entrou em minha vida ainda na adolescência, quando eu nem imaginava tornar-me escritor e poeta, muito menos cursar graduação e mestrado em Letras. O universo do escritor cruz-altense me conquistou desde o início, já no primeiro livro lido: Clarissa. Encantei-me com o jeito do escritor falar do universo de uma adolescente. Desde então, li a maioria de suas obras de ficção, memórias e autobiografia. É um de meus escritores preferidos.
Em 2006, quando fiz especialização em História do Rio Grande do Sul: sociedade, política e cultura, minha monografia foi sobre a obra de Veríssimo. Mas naquele momento o enfoque foi histórico, na pesquisa da identidade do gaúcho, entre o típico e seu arquétipo na obra O tempo e o Vento, e , em especial, o primeiro volume, chamado O Continente.
Adentrar ao mundo literário de Érico é sempre uma grata viagem. A cada leitura e releitura, a cada leitura sobre sua vida e obra, mais detalhes vão se entrecruzando.
Por sinal, na dissertação abordarei três eixos de um "triângulo esclarecedor" no que tange a autobiografia - como diz minha orientadora, a profª. Drª. Raquel Souza -, composto pelo Tempo, a História e a Memória.
Curiosamente, é justo a memória, não a de Veríssimo mas a minha, que tem me deixado preocupado. Diante de tantos desafios simultâneos, trabalho, estudo, família, projetos educacionais e culturais, etc., minha memória está saturando e seguidamente travando que nem meu PC. Só que, como brinco com meus colegas e amigos, o microcomputador tem a função de desfragmentar a unidade, e meu HD biológico, não. Então, quando a memória dá saltos, o que faço é respirar fundo e esperar que o meu "sistema operacional" destrave. Reinicializo a vida.
Ontem e hoje (sábado e domingo), pela manhã, fiz isso... Parei de ler e escrever a dissertação para brincar com meu filho Allan, de 3 anos e meio; e, a convite dele, jogar justamente o jogo da memória (muito similar a imagem acima, com figuras de animais). Incrívelmente, como sempre foi quando enfrento crianças, acabo perdendo. E não por que facilite. Quem me conhece sabe que eu jamais desisto, seja de um jogo de palitinhos ou de um desafio mais sério. Perdi por méritos de meu filho, e falhas de minha memória, claro... Risos. Das cinco partidas, todas foram vencidas por Allan, com os seguintes placares: 9x5; 10x4; 8x6; 8x6 e 8x6. Diante da regularidade das três últimas partidas, sinto-me que nem o Kasparov enfrentando o Deep Blue, o supercomputador que fazia milhares de cálculos por segundo. Meu filho, pela rapidez de raciocínio, diante do pai travado, leva sempre uma grande vantagem... Apesar do escore geral (5x0), foi uma divertida terapia familiar, unindo pai e filho; enquanto a esposa/mãe Elisabete torcia visivelmente para o lado mais "fraco" no confronto... Risos...
Agora vou voltar para o trabalho dissertativo até, literalmente, cair de sono sobre o teclado do PC ou algum livro de teoria literária sobre o colo. Mas tudo vale a pena, se a alma não é pequena, como escreveu um de meus inseparáveis amigos, o Fernando, uma ótima Pessoa.
Observação: Imagem acima, extraída da internet, do seguinte endereço

2 Comments:

Blogger Andréia Alves Pires said...

já era hora de começar!! o Erico.. gosto de muitos, mas Música ao longe vai ser sempre meu amor mais cuidado. :D

bjo, bjo!

22:29  
Blogger José Antonio Klaes Roig said...

Oi, Déia. Pois é, estou iniciando minha jornada literária particular. Como tudo na vida, o primeiro passo é sempre o mais difícil, daí em diante, por mais logo e íngreme que seja o caminho, tudo é uma sucessão desse primeiro e custoso passo. Um abração, Zé.

23:17  

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home