sábado, fevereiro 16, 2008

A Felicidade Não Se Compra


“Alguns homens vencem por seus erros, outros são derrotados por suas virtudes”, disse William Shakespeare (1564-1616), séculos atrás. Recentemente assisti a um velho e bom filme, um clássico dos anos 30/40, chamado A Felicidade Não Se Compra , do diretor Frank Capra - italiano, radicado desde menino nos EUA - que foi um dos mais premiados diretores de cinema de todos os tempos e teve uma filmografia repleta de sucessos de crítica e de bilheteria, dentre eles: Aconteceu Naquela Noite; A Mulher Faz o Homem; O Galante Mr. Deeds e Horizonte Perdido. Seus filmes eram tão populares que fizeram a Columbia tornar-se um dos grandes estúdios de cinema. O segredo do sucesso? Comédias com um toque de drama, e vice-versa.
A Felicidade Não Se Compra (o filme, de 1946) tem como protagonista o ator James Stewart, que encarnou o espírito do americano típico, como nenhum outro, e que hoje tem como sucessor, Tom Hanks, vencedor de 2 Oscar’s de melhor ator (Filadélfia e Forrest Gump). A personagem George Bailey é um pacato cidadão de uma pequena cidade norte-americana do início do século XX, amigo de todos, cheio de boas intenções, que usa sua pequena firma, passada de pai para filho, para fazer um contraponto ao banqueiro Potter, dono de quase toda a cidade. De tanto lutar sempre pelo direito dos outros e ver sua vida arruinada por causa de suas convicções, George, endividado, resolve se suicidar (e deixar um seguro de vida para a família), como forma de saldar suas dívidas, e resgatar o que lhe restou: a credibilidade familiar.
Quando George está prestes a se jogar de uma ponte, numa fria noite de Natal, eis que surge um anjo, que mostra a Bailey o caos que seria aquela cidade, caso ele jamais tivesse existido. Clarence precisa cumprir sua missão, para só então obter suas asas, visto que é um anjo de segunda classe.Com um final redentor, George triunfa sobre o mal, sendo auxiliado na hora que mais precisa por àqueles que ajudara a vida inteira, tendo a história um clássico final feliz, surpreendente. Imperdível, comovedor e atual, pois trata dos valores éticos e morais de uma cidade – tenha ela 2 mil habitantes, que se conhecem um ao outro, ou 2 milhões de seres quase transparentes, que se atropelam e se acotovelam diariamente, cada qual tendo mais pressa do que o outro; e o pior: têm medo. Um mundo cada vez mais dominado pelo individualismo predatório, canibal. Amizade, só virtual.
A lição que este clássico nos dá – apesar de parecer hoje, para os jovens, um filme arcaico, piegas, ultrapassado, rodado em preto e branco, sem efeitos especiais – é de que nem tudo está perdido. Considero-o um filme sincero, utópico, mas necessário; fazendo-nos pensar no que seria hoje o nosso mundo, se não tivessem passado por ele, esses adoráveis sonhadores (também à procura de suas asas), dadas às devidas proporções no tempo e no espaço, como: Betinho e Irmã Dulce; Gandhi e Madre Tereza de Calcutá; Francisco e Clara; Buda e Jesus... Tão admirados e reconhecidos como mentes brilhantes, iluminadas, e muito à frente de seu tempo; mas tão pouco imitados em seus princípios elementares: amar ao próximo como a si mesmo!
Hoje, outras “celebridades” são ícones de uma geração, que precisa descobrir sua missão nesta terra, como forma de ganhar também ao final da jornada suas asas, tal qual o anjo Clarence, pois a felicidade não se compra, se conquista pouco a pouco... Às vezes, com pequenos gestos de boa vontade, amizade, solidariedade, fraternidade e algo mais...
Frank Capra deu asas à própria imaginação e por isso conseguiu voar longe. Para nós, simples mortais, persiste o eterno dilema: o que passar a nova geração que nos sucederá nesse revezamento dos dias, meses e anos, rumo a eternidade? Um par de asas voadoras? Ou espada e escudo para resistir aos desafios desse mundo, que têm vezes que parece um imenso campo de batalha, sem sentido ou razão?
Observação 1: Artigo acima, de minha autoria, publicado originalmente no Jornal Letra Viva, nº 04, Ano I, edição setembro/2004. Atualmente, o LV está no 4º ano e em sua 43ª edição.
Observação 2: Imagem acima, intitulada "Labirinto", extraída da internet, do endereço http://economiafinancas.com
Observação 3: A assinatura mensal e gratuita do jornal cultural Letra Viva pode ser solicitada pelo e-mail klaesroig@yahoo.com.br , sendo a partir deste pedido o solicitante incluído na lista de contatos do LV, recebendo seu exemplar via mensagem de correio eletrônico.
Observação 4: Abaixo, alguns links interessantes com resenhas sobre o filme acima citado.
Planeta Educação - A Felicidade Não Se Compra
Cinelândia - A Felicidade Não Se Compra
Contraditorium - A Felicidade Não se Compra

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