quarta-feira, janeiro 09, 2008

O livro impresso vai acabar?


Diante dos meios eletrônicos, cada vez mais sofisticados, que tornam obsoletos outros equipamentos, há que se perguntar sobre a perenidade do livro impresso, diante da ameaça dos e-books; ou seja, livros digitais, que armazenam, não somente um, mas vários exemplares, podendo ser levados para qualquer lugar, e compartilhados com outros, como uma grande biblioteca virtual a tiracolo. A cada revolução tecnológica, algumas coisas perecem, outras permanecem imutáveis. O livro impresso é um que, tendo sentido os efeitos dessa concorrência digital, resiste, assim como a boa literatura dos clássicos e dos grandes escritores resiste ao passar dos séculos, gerações e tecnologias modernizantes.
O formato de um objeto por si só não altera o conteúdo do mesmo. As influências de mercado podem influenciar mais ao leitor do que ao escritor, embora pra toda regra haja a sua exceção. Já dizia Machado de Assis: “Ainda que não exista mais o império britânico nem o idioma inglês, falar-se-á Shakespeare”. Para o escritor contemporâneo, o computador é um aliado, na medida que lhe poupa tempo, para efetuar ajustes, correções, readaptações, recolocações de partes do texto noutro local, enquanto que no tempo da datilografia, representava apagar, colocar corretivo, rasurar, reeescrever, redatilografar tudo. Entrementes, esses vestígios de produção intelectual do escritor, ficaram pra sempre perdidos, na era digital. Não há mais como se perceber a interação do autor com sua obra. Suas reescrituras, remodelações, restaurações ou reconstruções. Tudo é enviado pra lixeira virtual e de lá, pra o vazio. Não creio que o livro virtual venha a substituir o livro impresso, apenas veio pra abocanhar uma fatia do mercado, tão curiosa para consumir novidades. O novo por si só nem sempre é moderno. Estão aí os clássicos bíblicos, literários, etc. para comprovar que, tal como o vinho, a literatura, dependendo da vinha, do processo de maturação da uva, de sua armazenagem e degustação, pode a cada ano ficar melhor e mais difícil de reprodução.
Observação 1: Texto de minha autoria, publicado anteriormente no jornal Letra Viva, nº 37, edição de junho/2007.
Observação 2: Imagem acima extraída da internet do endereço
http://avidadapipoca.blogspot.com

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

excelente artigo; vejam, eu somente o li em 2011, pois estava curioso no pelo tema "livro digital x livro tradicional", mas me pareceu mais atual do que nunca. Grande visão.

20:08  

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