sexta-feira, agosto 10, 2007

A inclusão do professor no processo inclusivo

Por mais que possa parecer redundante o título desta postagem, redudância parecem às vezes certas práticas amparadas em sólida teoria e pouquíssima prática eficaz. Fala-se muito do processo de inclusão sobre o ponto de vista do aluno regular ou portador de necessidades educativas especiais (PNEE's), mas pouco se fala, pelo menos, pouco leio e ouço, sobre forma de incluir primeiro o professor neste processo, seja como agente e sujeito. Acredito que o processo inclusivo, para de fato e de direito prosperar há que se envolver, motivar e mediar todos os atores deste, que deverão necessariamente serem tratados e se portarem como agentes e sujeitos da inclusão. É uma "dupla exposição", que nem foto que parece desfocada. Digo isso pois, professor é agente mediador do conhecimento formal, mas sujeito da aprendizagem de outra forma de ensinar, quando envolve a inclusão em seu aspecto mais amplo: cegos, surdos, deficientes mentais, motores, superdotados... O professor não está de todo incluído no processo pois lhe falta formação adequada e capacitação continuada para esse grande desafio educacional e social. Da mesma forma o PNEE que é sujeito de inclusão, no sentido de interação e integração social, pode também ser um valioso agente, pois somente ele, que porta a necessidade especial, sabe melhor do que qualquer um a sua verdadeira necessidade. Por mais que eu, nesses 3 anos, trabalhando primeiramente (2005) com alunos deficientes mentais, surdos e altas habilidades/superdotação e posteriormente (2006) incluindo alunos cegos e baixa visão, com apoio das professores especialistas de cada uma dessas áreas da Educação Especial, da EEEF Barão de Cêrro Largo, em Rio Grande, saiba, melhor tratar e me incluir no universo do PNEE, é o aluno e não o educador que vive naquele universo. Ter a humildade e a sensibilidade de recorrer que todos, invariavelmente, somos também portadores de necessidades especiais, num outro sentido, evidentemente, é o maior passo que se pode dar à inclusão de fato e de direito, tanto no ambiente escolar como no social e tecnológico. Mas para isso, precisamos estabelecer parcerias, com a comunidade escolar, com a sociedade civil, com todos aqueles que queiram se integrar a um processo que não é simples, mas que é amplo e inspirador. Tenho mais aprendido do que ensinado o uso da tecnologia no ambiente escolar, quando trata-se de Educação Especial. Sou antes de agente de inclusão, um sujeito incluído nesse longo e enriquecedor debate. Cada vez que, com minha colega Janaina Martins, conseguimos estabelecer elos de ligação com pessoas e entidades, agimos como agente-sujeito desse processor integrador. Brevemente, reiniciará a "terceira temporada" deste projeto de informática na educação especial, abrangendo aproximadamente 80 alunos, 09 professoras da Educação Especial, além de mim, coordenando juntamente com a Janaina, contando com o apoio da cordenação do NTE e da equipe diretiva da EEEF Barão de Cêrro Largo, em Rio Grande - RS. O projeto conta também com apoiadores voluntários (também portadores de necessidades especiais), que quando reiniciarem as atividades nesse 2º semestre terão o devido reconhecimento. A data precisa do reinício será divulgada em breve. Como estmaos em fase de ampliação do número de turmas em que atuaremos, precisamos fazer algumas adequações. A cada edição o projeto, que é simples mas prático, vai se reformulando, se auto-avaliando. Então, para concluir essa postagem (que pretendia ser breve), penso que o professor deve ser incluído primeiro no debate e no processo de discussão da inclusão escolar, para poder bem mediar o próprio processo inclusivo. Uma coisa depende da outra. Todos dependem uns dos outros, sejamos agentes ou sujeitos de qualquer processo sócio-educacional.
Observação: Imagem acima, extraída da internet, intitulada Esfera, de M.C. Escher.

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