sexta-feira, maio 01, 2009

Professor por um dia! Educador por toda a vida!


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Xn1BS5pUQe0

Neste Dia Internacional do Trabalho e do Trabalhador, aproveito para refletir um pouco sobre essa questão. Primeiro, historicamente, através dessa apresentação de slides (acima) extraída no You Tube, que traz diversos dados históricos sobre o Dia do Trabalho, destacando uma frase do mesmo:

"Não importa o seu trabalho, mas seu sentimento por ele".

Ou melhor:

"Não importa o seu emprego, o que realmente importa é o s eu sentimento por ele"



A partir disso, faço um link com a atividade que desenvolvi ontem, com colegas educadores de todo o Estado do Rio Grande do Sul, reunidos em assembleia geral, no ginásio Gigantinho, em Porto Alegre (imagem acima, duas de minhas paixões: futebol e educação; o S.C. Internacional comemorando seu centenário de glórias e o CPERS/Sindicato valorizando os 64 anos de fundação e os 30 anos da primeira greve, em defesa da educação).
Saímos de Rio Grande em direção a Porto Alegre às 7 horas de 30/04 e retornamos para casa, no extremo sul do RS - Brasil, próximo das 2h desta sexta-feira, Dia do Trabalho.
O filósofo contemporâneo Agenor de Miranda Neto, mais conhecido como Cazuza, disse certa vez que "o trabalho é mais importante que o amor, pois somente ele dá dignidade para se amar", ou algo similar.
Cada vez mais, pós-Queda do Muro de Berlim e da implosão do socialismo de Estado, o capitalismo selvagem, antes contido pela Guerra Fria, retornou com força, de forma predatória, travestido de neoliberalismo, para com o uso da ciência e da tecnologia, eliminar vagas, postos de trabalho, sem criar outras oportunidade para as que foram extintas.
Sem mais contraponto, invadiram países, sob os mais variados pretextos, todos posteriormente desmentidos, defenderam e ainda defendem o estado mínimo, com a intervenção mínima deste na economia, mas curiosa e paradoxalmente, quando grandes bancos faliram, seguradoras e outras multi e transnacionais empresas quebraram mundo afora, eis que o Estado Paternalista, tão combatido por essas eminências pardas abre o caixa pra salvar empresas em crise, em sua maioria por conta de má administração, corrupção e omissão...
Cada vez mais, por conta de tudo isso, a maioria dos educadores só consegue tempo para trocar ideias em eventos como esse, quando a viagem é longa e as mais de 4 horas pra ir e outras 4 pra voltar promovem essa oportunidade de intercâmbio e confraternização.
Pude conversar com alguns colegas que já conhecia e outros que vim a conhecer durante a viagem. Falamos de tudo um pouco: educação (é lógico), história, tecnologia, ciência, política, religião, música etc. Foram momentos descontraídos que pudemos discutir aspectos variados da educação e do ato de educar.
Num dos momentos, quando um dos colegas comentou que tempos atrás uma colega desistiu da profissão depois de um dia de trabalho, foi emblemático. Não desistiu por causa de um dia em especial, mas justamente no seu primeiro dia de trabalho!
Aí comentei: Que bom para ela e principalmente para seus colegas e alunos, pois seriam esses que arcariam com uma colega sem vocação, que desistiu no primeiro dia e após a primeira e única turma!
Conhecemos pessoas que não têm vocação, que não gostam da profissão, que estão ali apenas por sobrevivência, apesar do baixo salário; que sem didática, metodologia e domínio de classe, ficam 25, 30, 35 anos numa ou em várias escolas. Alguns que não têm a mesma coragem que essa ex-colega (após um dia) de assumir que não possuem vocação nem condições para fazer aquilo.
Educar é muito mais do que trabalhar além da hora estipulada, levando material para casa (provas, planejamento, matrizes a fazer, provas a digitar, pra depois xerocar, etc). Educar é mais do que falar até perder a voz; de ver as mãos e unhas corroídas pelo giz... Educar é mais do que querendo ter condições de se especializar, fazer cursos, comprar livros e outros materiais, precisa adiar sempre esses planos... Educar é saber com um limão fazer uma limonada, ou como digo: "entre as condições ideais de trabalho conseguir fazer algo relevante com as possibilidades que encontra pelo caminho..."
Sempre digo que existem os que SÃO educadores e os que ESTÃO professores.
Os que SÃO, sabem muito bem que educar é mediar a informação que gera conhecimento; que precisam dialogar com seu aluno, com os colegas e com a comunidade; estar em sintonia fina com o mundo em que vivem... Aceitar as mudanças que venham para qualificar seu fazer pedagógico (sejam elas tecnológicas ou não) e defender aquilo que apesar do tempo ainda é eficiente e dá os devidos e bons resultados...
Os que ESTÃO, vivem estressados, mal-humorados, acham que a escola ideal é aquela sem aluno (pasmem!); que não convivem com ninguém... Claro que não admitem isso abertamente, mas nas entrelinhas ou entre os olhos dão claros exemplos disso... São pessoas que acham que cumprir os 200 dias/aula e as 800 horas/aula durante um ano, sempre da mesma forma já é o suficiente; que usam a avaliação como uma forma de repressão, de controle, de revanche... Que se satisfazem com fazer o burocrático e pior que isso: não sentem remorso nem culpa de serem o que são... Não sabem o que é fazer autocrítica e não aceitam qualquer tipo de crítica, estejam ou não com razão...
Os que SÃO, assim o são por vocação e não por sacerdócio, pois educar é profissão que requer o devido reconhecimento e a necessária remuneração... Professor não é nem deve querer ser santo! É um ser humano e como tal merece dar e receber respeito...
Os que ESTÃO, não se importam com isso, temem expressar sua vontade; não deixam o aluno se expressar; não apoiam o colega e ainda criticam quem se expõe a riscos e represálias em defesa da categoria, mas não recusam com a mesma veemência as conquistas adquiridas pela exposição de terceiros. É acomodado e comodamente vai obtendo alguma vantagem graças àqueles que tanto critica.
Os que SÃO, são solidários; os que ESTÃO, assim estão sempre num egocentrismo como se o mundo que gira, girasse apenas em torno de seu umbigo...

Gostaria que algum dia fizessem algum "reality show" em alguma escola pública para que todos pudessem conhecer a realidade local, principalmente aqueles comentaristas de resultado que propõem coisas sem conhecer nada do que falam. Até mesmo para conhecimento de pessoas que estando dentro da educação e parecem desconhecer a realidade da própria educação, quando criticam uma categoria por conta de uma minoria que ESTÁ professor e que não É educador...
E que fizessem também algo similar (um show de realidade) com os políticos e gestores públicos em geral que nem sempre conseguem conectar o discurso com a sua prática; a sua crítica com o conhecimento de causa...

Mais do que ser um professor por um dia! Melhor é ser toda a vida um bom educador, independente das lutas que trave diariamente (cada vez maiores); e que com seu trabalho (ou 12 dozes de Hércules!) proporcione aos seus alunos a possibilidade de prosseguir adiante em seus estudos e sonhos; que saiba dar uma palavra de apoio, ou que até a reprimenda necessária seja feita de forma positiva, crítica, ética e profissional.
O bom professor nem sempre é o "paizão", mas também não precisa ser o "sargentão".
Há professores que, incrivelmente, se aposentam sem ter sido um só dia um verdadeiro educador! E que com suas ações e omissões condenaram muitos jovens à repetência e à evasão... Tive muita sorte, pois em todos esses anos de estudos (e continuo sendo educador e aluno simultaneamente) nunca encontrei alguém assim pelo caminho... Muito pelo contrário, tive grande professores que me fizeram e ainda fazem ver os dois lados de uma questão...
No Dia do Trabalho, desejo a todos os educadores - sejam pais ou professores - um Feliz Dia do Trabalhador, neste e nos outros 364 dias do ano; pois educar não está restrito apenas ao horário de trabalho e circunscrito ao espaço de seu contrato, convocação ou área de concurso...

2 Comments:

Blogger Marli said...

Zé, que pena que poucos leem ou participam da blogosfera. Esse teu texto não merece ficar sem ser lido. Eu acho que a paixão pelo educar é o único jeito de levar adiante nossas esperanças pelas mudanças que almejamos. Com tropeços, com dificuldades, com incompreensões, mas com amor lá vamos nós!! E que Deus nos ajude! Abraço!

14:09  
Blogger José Antonio Klaes Roig said...

Oi, Marli.
Talvez seja essa paixão pela educação e pelo ato de educar que explique o motivo de mesmo depreciados os educadores consigam ser a mola mestra da sociedade. Afinal, como digo aos amigos e colegas: se cada professor nesse país fizesse tão-somente o que "reza" seu estatuto profissional nenhuma escola funcionaria, pois todos acabam sendo psicólogos, enfermeiros, pais, etc além de educadores...
Como escrevi num outro artigo no blog ControlVerso "Professor: profissão de risco?", a educação é o reflexo da sociedade desestruturada. Apesar disso, é a vocação, mais do que tudo, que o educador superar as dificuldades, as incompreensões e tudo mais...
Brigadão pela visita e comentário, amiga. Vindo de ti, que admiro e vivo divulgando o trabalho pra meus profs. cursistas é um grande incentivo pra superar os desafios que todo educador precisa enfrentar diariamente. Um grande abraço, Zé Roig.

19:34  

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