quinta-feira, agosto 21, 2008

Postar é preciso, escrever não é preciso...

Uma postagem, intitulada Professores sabem escrever na internet? , do colega e amigo Robson Freire, em seu (para mim) referencial blog Caldeirão de Idéias me instigou a escrever este texto.
O Caldeirão de Idéias é um blog que de diário virtual tornou-se um jornal virtual, e hoje considero um pequeno portal para os blogueiros educacionais (iniciantes ou não) que desejem ter uma visão panorâmica das possibilidades que a internet e os multimeios proporcionam no ambiente educacional. Tenho acompanhado a trajetória de seu editor, discutido com ele, através de comentários no blog, msn, orkut, e-mail essas questões que envolvem a tecnologia educacional. E fico feliz em ver como o Caldeirão tem angariado um público fiél, que pode ser constatado através de seu contador de visitas, e da média de acessos diários que o mesmo tem.
O título desta postagem, antes de ser um paradoxo, ou uma valorização da escrita no mundo virtual em detrimento da escrita convencional, cabe esclarecer, remete a outra escrita: a poética. Um belíssimo poema de Fernando Pessoa, que incorpora em seus versos um canto dos antigos navegantes, e diz: "Navegar é preciso, viver não é preciso".
Na verdade, o "preciso" não se trata de verbo, e remete à navegação, em que à precisão dos equipamentos náuticos são o diferencial entre o viajar e o naufragar. Já viver, não possui tal precisão nem sequer algum equipamento que possa nos orientar nessa trajetória de atravessar o tempo, como um camaleão, mudando por fora e por dentro, a cada época e influências do meio em que se está inserido.
Sendo assim, qualquer Pessoa, usuário da internet, seja Fernando ou não, poderia também dizer que postar é preciso, desde que se domine os meios eletrônicos. Já o ato de escrever não é tão preciso, ainda que o autor domine a língua pátria, pois a escritura pressupõem mais que domínio da técnica. Requer que essa escrita tenha significado e um destinatário que encontre sentido no texto. Nesse contexto, escrever para a internet realmente é diferente do que a escrita tradicional, pois requer o domínio de recursos como links, hiperlinks, etc., transformando a leitura num ato de descobertas de diversas possibilidades e referências que remetem a outras e outras, numa espécie de labirinto virtual. Evidentemente que nesse labirinto, deverá se ter uma teia narrativa, em que os tais links não dispersem demais o leitor. Que amplie horizontes, mas que não fuja demais do próprio sentido que o texto procura estabelecer.
Para aproveitar as pontencialidade do ciberespaço, deve-se também fazer uso dos recursos inovadores. Curiosamente, se analisarmos o advento da fotografia, por exemplo, foi primeiramente usada por pintores que adaptaram seu fazer ao novo equipamento; assim como a televisão, em que os pioneiros foram radialistas que serviram-se de seu ofício para dar um padrão já existente ao novo mecanismo.
Porém, a informática de uso pessoal foi pensada por jovens e executada por jovens (os chamados Piratas do Vale do Silício , retratados pelo filme de mesmo nome). Daí o grande paradoxo tecnológico do terceiro milênio. Se no século XX sabíamos que muitos textos e "temas" para casa eram feitos pelos pais e não os alunos, já no século XXI, que sabe utilizar as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC's) na Educação, percebe de longe aqueles professores que só querem palestrar ou mostrar sua prática com uso de apresentação de slides e datashow, mas não dominam nenhum desses recursos. O que leva-me a crer que quem fez o "tema" foram seus filhos (Risos). Se a apresentação de slides usa e abusa de efeitos de animação e etc., mas o educador, suposto autor, não sabe como fazê-la rodar em um computador, com certeza, as idéias e os conteúdos devem ser do professor, mas a execução e formatação das mesmas não.
Apenas mais uma provocação, propondo a reflexão para o uso das tecnologias no ambiente escolar.
Sugiro, então a leitura da íntegra do post que Robson publicou no Caldeirão:


Observação: Colagem acima feita a partir de imagens extraídas da internet, dos endereços:
jornal65/mania_escrever.aspx (caneta);
CABOUSBAUSBB1.8MT.html (cabo usb);

3 Comments:

Blogger Robson Freire said...

Olá amigo

O texto nasceu de uma necessidade por conta de uma dificuldade dos professores no Curso de Educação Digital, na fase de transposição de conteúdos reais para os virtuais. A mecânica, ou será habito, do copiar e colar esta muito forte neles. É um tal de Ctrl C e Ctrl V danado. Eles simplesmente copiam o texto e colam. Ai eu falo "usem o hiperlink", mas a falta de cultura para se adaptar ao meio digital é gritante exatamente como no vídeo Tecnologia ou Metodologia. Outro problema detectado é não saber usar a metodologia de ensino por PBL, que significa Problem Based Learning (Aprendizagem baseada na resolução de problemas), é fundamentada no ensino por meio de resolução de problemas. Eles não sabem mediar ... só sabem reproduzir conteúdo, não sabem ENSINAR. Outra coisa detectada eles não sabem, ou conseguem, ouvir os alunos. Poucos dão ouvidos aos desejos ou anseios da turma. É meu amigo se nos não tentarmos mudar esse quadro, seja mudando a formação inicial, capacitando ou até fazendo "lavagem cerebral" neles o futuro da educação será bem cinzento.
Abraços do amigo

08:33  
Blogger José Antonio Klaes Roig said...

REalmente, tuas observações são o que eu e outros que lidam com as formaçõe de professores sentem. E merece um comnetário logo e reflexivo no LV. Tua análise foi ótima e vou aproveitá-la lá. Brigadão, migo. Um abraço e bom fim de semana; Zé.

14:26  
Blogger José Antonio Klaes Roig said...

REalmente, tuas observações são o que eu e outros que lidam com as formaçõe de professores sentem. E merece um comnetário logo e reflexivo no LV. Tua análise foi ótima e vou aproveitá-la lá. Brigadão, migo. Um abraço e bom fim de semana; Zé.

14:27  

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