sábado, abril 28, 2007

Em nome de nossos filhos


Recentemente, saiu uma interessante entrevista na coluna Ciência e Tecnologia/Meio Ambiente, da Revista Época, de 12/03/2007, às págs. 80-81, com o título de EM NOME DE NOSSOS FILHOS - e subtítulo: Quanto mais ações hoje contra o aquecimento global, melhor para as futuras gerações, diz o especialista em clima Ralph Cicerone.
Cicerone é presidente da Academia Nacional de Ciências dos EUA, engenheiro eletrecista e climatologista de 63 anos, sendo autoridade em mudança climática, segundo a reportagem, que complementa seu perfil: Ex-reitor da Universidade da Califórnia-Irvine, que colaborou na descoberta dos efeitos do CFC na camada de ozônio e lutou pela proibição do gás. Enfretou também Bush, atestando que o efeito estufa é causado pela ação humana. É tido também como um ambientalista durão que há anos alerta sobre os perigos do aumento da temperatura do planeta. Em 2001, ele enfrentou o presidente W. Bush, que se recusava a aceitar o relatório do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC). Segundo a matéria, Bush pediu um parecer aos cientistas americanos sobre o aquecimento global, e Cicerone veio a público com conclusões tão ou mais contundentes que as do IPCC, fazendo Bush reconsiderar.
A matéria, como um todo, é esclarecedora, e merece ser lida na íntegra.
Cicerone disse ainda que: "Mudar nosso estilo de vida é difícil. As pessoas não querem viver com o mínimo. A ciência tem de dar opções para o cidadão comum".
Realmente, o estilo de vida atual, calcado no consumismo a qualquer preço, no materalismo extremado e na descartabilidade dos produtos e da própria vida humana, leva-nos a compromoter a própria sustentabilidade do clima e da própria vida no planeta, pela ação danosa do homem, enquanto pessoa jurídica, comprometendo o futuro de milhões, bilhões de pessoas físicas. O interesse megacorporativo acima do interesse da espécie humana.
Lendo a reportagem, lembrei-me de um desenho animado de meus tempos de garoto: Zé Coméia e Catatau, da Hanna & Barbera, lá pelos anos 1970, quando falar em ecologia era algo vago, e coisa de alguns visionários. Em um episódio, Zé Coméia, Catatau, Dom Pixote e sua turma, que sempre viajavam numa espécie de Arca de Noé voadora, encontram um cientista maluco em uma ilha paradisíaca. Lá, o cientista, com o uso de máquinas maravilhosas, transformava tudo: bananas em saborosos milkshakes, árvores em móveis incríveis, etc, tudo em questão de segundos (era a modernidade e o consumismo chegando a todo vapor). Eu era menino, mas pelo enredo do desenho pude notar a mensagem nas entrelinhas (aprendi muito com a TV dos 1970, quando iniciei meus estudos no ensino regular, era uma época de ditaduta militar em meu país, censura rígida e cerceamento das liberdades civis... Mesmo assim, nas entrelinhas das músicas, desenhos, filmes, e tudo mais produzido naquela épóca, pude adicionar muito a minha bagagem cultural, que trouxe até os dias de hoje). Enfim, a moral da história era: quanto maior o consumismo, menor seriam os recursos naturais, explorados sem controle. No fim o cientista maluco é desmascarado, pois a face bela da ilha, tipo cartão postal, era fachada para esconder um processo descontrolado, pois o resto da tal ilha estava todo destruído e sem recuperação (qualquer semelhança com o mundo em que vivemos, não é mera coincidência...). Ali, assistindo aquele desenho do Zé Colméia e outros, aprendi brincando noções de defesa do meio ambiente, de sustentabilidade, de valorização dos recursos naturais. Uma HQ, um desenho, um filme, um vídeo, uma entrevista, um recorte de jornal, uma fotografia, fala mais que mil palavras, com certeza. Saber utilizar esses recursos com o alunado é uma forma de educar divertindo. A frmar cidadãos preocupados com o futuro do mundo, que seus filhos herdarão.
Observação: A bela imagem acima (que coloquei como papel de parede em meu pc), achei na internet e chama-se God's Canvas, de Delacorr. E sua visão remete indiretamente, na minha opinião, ao efeito estufa, a emissão de CFC (vejam o spray "criando" um "mar" de nuvens) e ao aquecimento global. Algo para se pensar...

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