terça-feira, novembro 13, 2007

A medida do possível... Como calcular?


Caros amigos, visitem o link para a página da Academia Rio-Grandina de Letras, da qual faço parte, como membro titular da cadeira nº 6, cujo patrono é o prof. Antonio Gomes de Freitas. Este link é para o Caderno O Peixeiro, do Jornal Agora on-line, que gentilmente cede este espaço, todas às terças-feiras para que os confrades e confreiras possam publicar seus textos em prosa e verso. Tenho lá a poesia A MEDIDA DO POSSÍVEL. Em 07/10/2005, tomei posse na cadeira 6, escolhendo-a pelo fato de que, como falei à época, aos presentes à sessão solene, no Centro Municipal de Cultura, de Rio Grande, que "Nós somos o resultado de nossas escolas" (citação de autor não-identificado por mim), mas principalmente, "somos o resultado de nossas não-escolhas (esta citação de minha autoria), pois não escolhemos o nosso próprio nome, nossos pais, tampouco a cidade, estado e país onde nascemos, e são todas essas não escolhas que nos dão identidade particular e nos fazem ser o que nós somos". Não escolhi meu nome, mas é o único bem, de fato que me pertence, e tento sempre honrá-lo da melhor maneira possível. Não escolhi meus pais, mas tive a sorte, o privilégio e a felicidade de ter em José Américo (o Zeméco, artista plástico autoditada) e em dona Hildette (professora, e minha grande incentivadora do hábito da leitura desde a mais tenra idade), meus grandes referenciais de vida. Apesar de ter sido criado por meus avós paternos e minha tia Lélia (devido a acidente que deixou meu pai cego de um olho), sempre tive contato e sempre fui muito influenciado por eles. Foram e são meus maiores "professores". Os pais, os responsáveis são os primeiros educadores que uma criança tem, e não podem fugir deste papel fundamental na formação do ser humano. Filhos de famílias desestruturadas, desestruturados são e desestruturados levarão a visão equivocada de mundo aos seus e aos demais que por seus caminhos passarem. O título do poema que está publicado na página da ARL, hoje, saiu com crase, quando originalmente não continha, pois quis falar sobre a medida das coisas mesmo, e não usar a expressão à medida do possível (a maneira do...). De tanto ouvir essa expressão, quis calcular poeticamente, lógico, qual de fato é a tal medida do possível, se é que existe forma de se calcular isso. Risos.
Escolhi a cadeira 6, pois em uma das fases difíceis da minha vida, tive que morar naquela rua. Quando tudo estava "sem opções", surgiu a possibilidade de residir lá. E lá, posso dizer que foi um divisor de águas de minha estadia em Rio Grande, vindo de São José do Norte - RS, por motivo de saúde de minha avó. Anos depois, já estabilizado, tendo dado a volta por cima, quando me mostraram a lista, não pensei duas vezes. A rua e o nome do emérito professor me trouxeram recordações, e a escolha foi quase instantânea. Por isso, digo: Nós somos o resultado de nossas escolhas, mas principalmente das não escolhas que temos na vida. Calcular a medida do possível é tentar unir nossos projetos de trabalho ao projeto de vida, "à medida do possível". Nem sempre temos as condições ideais de trabalho, mas as possíveis, e com essas temos que aprender, no dito popular, "de um limão fazer uma limonada". Quando vejo pessoas, de braços cruzados, aguardando as tão esperadas condições de trabalho para só ai poder desenvolver uma atividade diferenciada, lamento, pois, quando essas "condições ideais" estiverem presentes, o mundo ao nosso redor já será outro ( nós tambéms eremos outra pessoa), ainda mais em se tratando de tecnologia educacional. Não precisamos de equipamentos de última geração para fazer a inclusão digital. Pode-se com um rádio, com uma TV, um vídeo, ou com o uso da biblioteca escolar desenvolver projetos diferenciados, justamente pelo significado que poderá trazer ao alunado. Um simples passeio pelo entorno da escola, sem a necssidade de fretar ônibus e coisa e tal, com os professores mostrando certos conceitos de sua disciplina na prática - seja português, com os letreiros das vendas, comparando com a escrita culta; com o professor da matemática mostrando quantidades de objetos; com o de história, comparando prédios novos e antigos, e tantas coisas mais -, podem trazer mais significado àquela turma e ao próprio educador do que qualquer outra atividade. Não devemos ficar dependentes do livro didático tampouco do laboratório de informática, que são meros veículos (meios), enquanto a educação deve ser o objetivo principal sempre. O educador deve usar a criatividade para fugir da mesmice e do lugar comum. Mas para isso, deve ser um motivador e estar motivado. Eis, minha lição de vida que, sempre que posso, repasso aos que à medida do possível tenham tempo para acessar o meu blog, e/ou participar de meus projetos de trabalho e de vida, como alunos e/ou parceiros... Entre uma atividade e outra, sempre que posso, posto em meus blogs pequenas reflexões diárias a partir de uma prática educacional e uma vivência comunitária. Como cidadãos do mundo, tempos que burcar no particular o universal, e vice-versa. O blog, hoje em dia, é uma ferramenta de inclusão digital, educacional e social.
Observação: Imagem acima, colagem de minha autoria, a partir de recortes de revistas antigas.

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