sábado, agosto 25, 2007

A Geração Password

Pois é, conversando através de emails, sobre arte, cultura e educação, com a amiga e arte-educadora Vera Guidi, do blog Arte Brasilis, acabei escrevendo a ela sobre o que denomino A Geração Password. Ou seja, jovens que sentem-se frustrados, em depressão, ansiedade extremas, antes mesmo de terem entrado no mercado de trabalho, de terem se tornado independentes da família, de estarem de fato e de direito emancipados, que é em torno dos 21 anos. Pois então, poderão me perguntar o motivo da expressão "Password". E é simples de responder, mesmo que não tenha formação de psicólogo, nem queira entrar indevidamente numa área da qual não tenho formação nem conhecimento. Meu objetivo é ser provocador, como tudo que faço na vida, mas uma provocação em sentido amplo e positivo... De mostrar os paradoxos da existência humana.
Password ou senha, é aquele código que possuem os jogos eletrônicos feitos para computador ou consoles tipo videogame, em que o usuário (jogador) adianta uma, duas ou várias fases, sem que seja preciso disputar todo o jogo. Uma espécie de tecla FF, de avanço rápido, que possibilita saltar fases, estágios, vivências. Nessa perspectiva que abordo a Geração Password, que nem viveu ainda, e já se sentem, frustrada, sem sequer ter passado por experiências verdadeiramente frustrantes. Querem, parece, obter o password para saltar o tempo e o espaço. Impossível. A realidade virtual ainda não conseguiu esse mecanismo de viagem no tempo. E pra quem deseja tal efeito especial, sugiro ver a comédia Click, com Adam Sandler, que diverte e provoca uma reflexão sobre esses hipotéticos "saltos temporais".
Agora, não me digam que perda do primeiro amor, impossibilidade de fazer uma faculdade poela não aprovação em vestibular, de ter o carro do ano, a roupa da moda, etc é motivo pra depressão... Não aceito isso, embora seja, na maioria das vezes, o motivo pra que essa geração queira a todo custo descobrir seu Password interno. Não adianta meninos e meninas. Por experiências própria digo, parafraseando um poeta: Só se aprende a viver, vivendo. Só se conhece o caminho das pedras, e depois os atalhos, errando muitas portas, perdendo muitas chaves, vagando por muitos corredores interiores e exteriores... Enfim, só se consegue reconhecimento e sucesso, se for esse o objetivo de vida (e diga-se de passagem, algo muito ilusório e temporário), se for em busca do tempo perdido, que sequer viveu. Por falar nisso, Marcel Proust, escritor francês, escreveu um dos clássicos da literatura chamado EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO, num tempo que a tecnologia estava saindo ainda do barco a vapor... Hoje, o sonho de consumo da juventude é ter o MP3, que já virou MP4, e mal foi lançado, já surgiu o MP5... Logo logo virão MP15, 25, 365... e por ai vai... Não é o tempo que passa ligeiro demais. É o atual modelo de civilização e de desenvolvimento a qualquer custo que torna tudo descartável, sejam pessoas ou coisas, rapidamente, num piscar de olhos. Anotem ai meu password secreto: *******************. Traduzindo: vivaavidaaoseutempo.
Observação: Imagem acima, extraída do site DEVIANTART, intitulada "Ad Memento", de Nykolai Aleksander.

1 Comments:

Anonymous Vera - Arte Brasilis said...

Roig, como pais e professores talvez sejamos "um pouco" psicólogos -ou mesmo filósofos- tentando desvendar os mistérios da vida.
Cada geração tem seus desafios.
Lembrei-me aqui da música de Ivan Lins e Victor Martins que traduz esta inquietação:
Perdoem a cara amarrada, perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço, os dias eram assim
Perdoem por tantos perigos, perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigos, os dias eram assim
Perdoem a falta de folhas, perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha, os dias eram assim
E quando passarem a limpo, e quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos, façam a festa por mim
Quando lavarem a mágoa, quando lavarem a alma
Quando lavarem a água, lavem os olhos por mim
Quando brotarem as flores, quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos digam o gosto pra mim...

Mas creio que a geração Password, como vc bem definiu, fará parte de uma "virada radical" que está no limiar de novas atitudes. Tenhamos esperanças e continuemos nosso trabalho de formiguinhas (rs) espalhadoras de idéias ! Há valores que ficam, que nossos filhos herdarão.
Estarão mais bem equipados, com certeza. E quando brotarem as flores e crescerem as matas, colherão os frutos, cada um a seu tempo !
Abçs,
Vera Guidi

21:46  

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