sábado, outubro 06, 2007

10 dicas para o professor do século XXI


Hoje, na internet, se banalizou certos recursos, pensados para um fim, que acabam sendo “flexibilizados” para outras situações, que às vezes tornam-se incômodas. Um deles é o power point, software pensado para montar-se apresentações de slides, adicionando textos, imagens, efeitos visuais, som, etc. Atualmente, seu uso é tão banalizado e abusivo que já há até textos na internet (um deles coloquei link neste blog, por indicação de amigo virtual), que criticam o excessivo uso de slides para tudo: desde palestras infindáveis a aulas sobre os mais variados temas. A geração Power Point cria seus slides, e os remete em forma de corrente, alguns com textos interessantes, outros (a maioria) nem tanto. Alguns supostamente atribuídos a Luis Fernando Veríssimo e outros escritores consagrados, que vira e mexe os desmentem. Enfim, a corrente (ou rede) de amigos, que poderia usar a tecnologia para um significado pedagógico, educacional e social, acaba usando para recreação, para incômodo e sobrecarga das caixas de correio eletrônico de amigos. Para tudo na vida há que se ter critérios. Mas, para não dizer que não falei de flores, uma apresentação de slides, em especial me chamou a atenção. E de vez em quando ou a curiosidade, o tempo (sempre escasso) ou a casualidade, nos fazem relativizar e suavizar as críticas a esse tipo de conduta, que deveria ser moderada e não sistemática no ciberespaço, já que remetem os slides e nenhuma mensagem em anexo, comentando, o que me deixa muitas vezes contrariado. Mas das flores, que comentei, refiro-me a uma apresentação de uma colega de mestrado (onde todo mundo fica estressado), que trazendo engraçadíssimas fotos com animais, propunha 18 dicas para viver melhor. Desta, adaptei 10, como um pequeno manual para o professor do século XXI enfrentar seu dia-a-dia, cada vez mais assoberbado de tarefas e “minimizado” em seu salário, adotando certa flexibilidade e significação, dentro de uma proposta construtivista, e não apenas uma crítica construtiva às correntes que assolam a internet e as nossas contas de e-mail, criando o que estão chamando de e-m@la (pessoa inconveniente pelos excessos que comete no mundo virtual). Risos. As minhas 10 dicas, adaptadas desta apresentação são uma provocação e uma reflexão construtivas (a partir de meus erros e acertos em 15 anos de Educação).

10 DICAS PARA O PROFESSOR DO SÉCULO XXI

1.Pratique a pedagogia do exemplo, em que sua vida e seu trabalho tenham uma significação para si mesmo e para os outros em seu entorno, e, em especial, o alunado;
2.Valorize seu trabalho e, acima de tudo, o conhecimento prévio de seu aluno;
3.Avalie o aluno, a turma, mas também se auto-avalie sempre, de forma quantitativa, mas acima de tudo qualitativa;
4.Respeite as diferenças entre os alunos e os colegas de trabalho, os vizinhos, amigos e familiares, afinal, se nem gêmeos são idênticos, a aprendizagem também não o é (clonagem humana trata-se ainda de ficção científica, e não deve ser o objetivo da educação);
5.Permita-se de vez em quando quebrar as regras, flexibilizando-se e flexibilizando seus projetos de trabalho e de vida (em que o primeiro seja uma extensão do segundo, e vice-versa), e lembre-se todo dia que por melhor que na teoria seja um projeto, na prática nem sempre funciona, então, use às vezes o empirismo e depois adapte-o a um referencial teórico eficiente;
6.Busque objetivos possíveis de serem atingidos, sempre usando o bom senso e respeitando a diversidade e a adversidade do meio (se não tem laboratório de informática na escola, use a biblioteca escolar, não seja escravo da novidade);
7.Relacione-se com toda a turma, usando o mesmo critério, sem preferências por A, B ou C, sem dois pesos e duas medidas, e acima de tudo: se errar erre com todos, e se acertar, que seja também com o grupo, sem exceções (o erro deve ser a exceção e não o contrário);
8.Compartilhe seu conhecimento, não apenas com seu alunado, mas trabalhe de forma cooperativa com seus colegas, todo o ambiente escolar, divulgue o que dá certo, comente o que pode ser mudado, sem culpas nem medos, de forma consciente (tire as farpas e espinhos e mostre as pétalas do ato de educar eficientemente nem sempre vistas ou divulgadas além das 04 paredes da sala de aula: “Brasil, mostre a sua cara!”, já cantara Cazuza, tempos atrás...);
9.Mantenha seu espírito jovem (coloque-se no lugar do aluno), e para isso, se atualize constantemente, não precisando fazer um curso a distância, pós-graduação, mestrado, doutorado (que são ótimos e grandiosos), mas faça coisas simples também, como sentar com seus alunos e ver o que eles sabem sobre aquele assunto (informática, literatura, sexo, drogas e rock’n’roll, etc.), suas certezas e dúvidas, usando projetos de aprendizagem para mediar a informação para que esta se torne conhecimento e significação;
10.E, por fim, mais do que tudo, sob pressão respire fundo e conte até 10, se não der, então conte até 100 (risos), e tente manter-se calmo e tranqüilo, para não descarregar em quem não deve suas frustrações e indignações (válidas ou não), bastando usar o bom humor para aliviar a tensão, o estresse, pois o mundo sempre foi assim e para sempre o será, desde que Deus disse: FIAT LUX (faça-se a luz!); pois quando vemos os olhos dos alunos brilhando ao passar um certo conteúdo é sinal de que nosso trabalho encontrou eco esperado e o significado além de nós mesmos, já que o objetivo principal de uma escola aberta e de uma educação libertária deverá ser a emancipação do ser humano para que ele possa discernir entre o certo e o errado para ele próprio, e poder com isso fazer suas escolhas pessoais: de vida, de trabalho, de família e tudo mais...

Espero que a partir destas 10 dicas que elaborei a partir de uma das milhares de correntes, não se torne ironicamente também uma corrente sem significado, tipo passa e repassa, tão em moda no século XXI, pela geração Power Point. Espero que algumas de minhas dúvidas, que se tornaram quase certezas, sirvam para gerar outras dúvidas e certezas em quem vive dentro do universo educacional. Afinal, todos devemos nos sentir eternos alunos, pois estamos sempre aprendendo algo novo a cada novo dia. Um bom fim de semana a todos! De preferência sem muitas correntes nas caixas de e-mail (risos), e mais redes de apoio entre colegas que trabalhem e discutam projetos educacionais (isso sim, muito sério), como é o meu caso e de muitos que conheço (alguns só no ciberespaço), que trocam suas experiências de trabalho e de vida em prol de um objetivo principal: a educação de qualidade. Viva o educador brasileiro! Que a boa educação mantenha-se viva em cada um de nós.
Observação: Imagem acima extraída da internet, do endereço: www.bohney.com.br.

1 Comments:

Blogger Robson Freire said...

Parabéns mais uma vez meu amigo. o seu artigo é maravilhoso e muito preciso. Algumas premissas da profissão de professor nos trazem a alegria em forma de sorrisos, risadas e aplausos (quase nunca). Viver as 10 regras é uma proposta bem interessante para a educação como um todo, não apenas, como é hoje, a alguns poucos professores.
No Caldeirão tem um artigo que fala sobre o ciclo da desigualdade na educação, igualmente maravilhoso.
Parabéns e continue a nos presentear com o seu refinado olhar e bom gosto.

Robson Freire

22:08  

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