sábado, abril 07, 2007

Consumo Cultural de Crianças - Conclusões do Cursista


Conforme dito, na postagem anterior, esta postagem trata-se de meus comentários sobre a atividade proposta pela especialização em tecnologia educacional (UFRGS-2006/2007), para integrantes de núcleo de tecnologia educacional, como é o meu caso.

Como já dito anteriormente, a partir dessa atividade, acho fundamental que todo educador para conhecer melhor sua turma, seja nos aspectos sócio-econômicos, mas acima de tudo culturais, elabore um questionário, adequada a sua área de interesse, pois esse mecanismo poderá proporcionar ao professor dados e meios de como planejar atividades, ora integradas aos multimeios, ora às próprias atividades curriculares tradicionais.

CONCLUSÕES DO CURSISTA:

Com base nas respostas do Questionário sobre Consumo Cultual de Crianças, dá para se, primeiramente, avaliar que a realidade do jovem de Rio Grande, de 13 a 16 anos, é similar ao do jovem da Capital, e da maioria das cidades brasileiras, pois a questão cultural e o raio de exposição aos sinais dos meios de comunicação de massa é o mesmo, seja onde for.
O avaliador apressado poderia tirar conclusões apressadas também se não percebesse nas entrelinhas de cada questão, outros fatores, que influenciam decisivamente em cada resposta.
Por exemplo: Na questão da música: hip hop, rap, pagode e funk são as preferidas. Um avaliador, nascido na década de 1960, como é o meu caso, com 42 anos, que tem o seu referencial de arte e cultura bem diverso, poderia preconceituosamente pensar que o bom gosto decaiu, pois as letras não se comparam às escritas por Chico Buarque, Ivan Lins, João Bosco e outros mais. Entretanto, cabe salientar que a geração atual é influenciada pelo que ouve. Rádio e TV, mais influenciam do que são influenciados pela audiência. Então, se o jovem de hoje só tem um tipo de música pra ouvir, não poderá exigir algo que desconhece.
A mesma coisa quanto ao consumo de livros. Nosso país é um dos que tem a menor média de leitura aqui na América Latina. Nossos vizinhos Uruguai e Argentina têm o dobro de nossa média ou mais. Talvez por isso tenham o dobro de bons escritores também, alguns excepcionais como Jorge Luis Borges, Júlio Cortazar, entre outros. Mesmo assim, se avaliarmos o preço proibitivo de aquisição de um livro, e se for best-seller como Harry Potter, nem se fala... Da falta de bibliotecas públicas, e de bibliotecárias nas bibliotecas escolares, quando são deslocados muitas vezes professores em final de carreira ou que não dispõem de recursos para estimular o acesso à leitura, já que nem sempre pais e professores incentivam seu uso, não como obrigação, mas como diversão mesmo. Enfim, ler e escrever é um desafio, interpretar um texto, sem essa bagagem, mais desafiante fica, o que reproduz, anos depois, nas redações zeradas ou estapafúrdias dos vestibulares, país afora. Culpa-se a conseqüência, sem analisar às causas.
Mas, voltando ao questionário em si, dá pra se perceber que o DVD é uma mídia que, pelo seu baixo consumo, e facilidade de acesso, tornou-se mania entre 100% dos entrevistados, superando até mesmo o microcomputador, a internet e o videogame, que não tem o mesmo percentual. Claro, tem-se que levar em conta o aspectos econômico, pois um aparelho de DVD é muito mais barato do que PC, internet, TV a cabo e videogames. Ai, retorno ao que disse anteriormente, o aspecto econômico suplanta o pedagógico. Não é que as pessoas não gostem de ler, de ir ao teatro, de ouvir música de qualidade. Simplesmente não possui acesso aos mesmos, ora por total desconhecimento, ora por conhecendo, não ter meios de aquisição. Dos 21 alunos, 19 disseram ouvir rádio; outro meio barato de acesso, o que corrobora com minhas deduções. E quando usam os meios eletrônicos (me esqueci de incluir uma poderosa ferramenta de interação nesses questionamentos, que é o celular e seus torpedos...), a esmagadora maioria diz que usa pra conversar, interagir com os amigos e colegas (orkut, chat, MSN...). Por fim, o teatro, segue a mesma regra. Não possui acesso fácil, pela questão econômica, o que demonstra seu detrimento em função de outras formais culturais mais “baratas”.
Mesmo assim, percebe-se que o jovem, por motivos óbvios, é mais receptivo ao uso dos meios tecnológicos do que o adulto, e gosta de interagir com a tecnologia em suas mais variadas formas. Os T.I.C. podem ser um eficiente aliado no processo de ensino-aprendizagem, se pensados como tal, e tão-somente como ferramentas. Se o educador souber utilizar adequadamente esses meios, e a própria cultura popular que cada aluno traz de casa, dentro do processo educacional, todos sairão ganhando. Pois, por experiência própria, percebo que, além da tecnologia, o próprio aluno poderá ser um grande aliado-monitor nos projetos de aprendizagem desenvolvidos com o uso das T.I.C. – Tecnologias da Informação e da Comunicação. Mais do que retórica, ou discurso fácil, a pura constatação. Mas essa transição, da educação tradicional para uma nova forma de interação aluno-professor, através das T.I.C., só poderá ser possível em sua plenitude, se cada educador individualmente pensar a educação no sentido amplo, da troca de experiências, da experimentação, da busca pela qualificação pessoal, para a qualificação da turma. Mas ai, no que tange a capacitação continuada, foge da esfera do professor em sala de aula e de seu alunado, e depende essencialmente do gestor escolar e do gestor público e de seus projetos educacionais. Como disse Charles Chaplin: “Mais do que máquinas. Precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência, e tudo será perdido”.

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