segunda-feira, dezembro 11, 2006

Cibercultura e educação

O texto abaixo pertence a Atividade do Proa5, da especialização em tecnologia da informação e da comunicação na promoção da aprendizagem e é inspirado na análise do texto EDUCAÇÃO E CYBERCULTURA, de Pierre Levy.

Cibercultura e educação
Desde que a tecnologia - primeiro com a TV, depois o videogame e atualmente o microcomputador – incorporou-se ao dia-a-dia da sociedade, visíveis são os reflexos, não apenas na comunidade como na própria educação, que, como a família e a sociedade em geral, não acompanhou os avanços tecnológicos...
Hoje o ciberespaço é um universo paralelo para os jovens, que vivem mais plugados ao mundo digital do que ao real, à medida que celular, pc, games e toda uma parafernália eletrônica tornaram-se quase uma segunda pele. Impossível observar um adolescente ser visualizar em sua mão ou cintura um celular de última geração.
Cibercultura e educação, apesar de parecerem à primeira vista antagônicas, podem, se analisadas em separado, ter mais afinidades do que se possa supor.
Note-se que a cibercultura é uma linguagem eminentemente visual, de imagens em movimento constante. O jovem, por esse fato, desenvolve estímulos e reflexos variados. Por utilizar jogos sofisticados, que forçam a análise espacial, gráfica, estratégia etc, como os RPG (rolling play games) que desafiam ao jogador em rede usar muito tática para passar de fase, e a cada fase maiores são os desafios... Eis a grande aliada que pode ser a tecnologia... Entretanto, se a família ou o educador não estiverem "plugados" a essa realidade, utilizando-se dessas ferramentas, como aliadas à educação familiar e à acadêmica dos bancos escolares, haverá um choque de gerações, em que cada um falara uma linguagem, e ninguém se comunicará de fato. Evidentemente que, para que isso ocorra, não é necessário que as escolas e, por conseguinte, os laboratórios de informática tornem-se lan houses... Pelo contrário, a tecnologia deve ser canalizada para a formação intelectual, educacional e cidadã, despertando o senso crítico do alunado para que este observe e saiba distinguir realidade de ficção... Menos competição e mais solidariedade, seja em sala de aula como na sociedade.
Como fazer isso? Evidentemente com diálogo, troca de experiências, utilização de softwares educacionais, aplicação de experiências exitosas desenvolvidas por escolas e instituições, que muitas vezes estão disponíveis gratuitamente na própria internet, enfim, uma variedade de fatores que promovam o intercâmbio entre a cultura popular que o aluno trás de casa e a educação formal que o professor deve dispor.
A contextualização da própria educação e da informática devem ser feitas sempre, não apenas de forma teórica, com discussões infindáveis, mas levadas à própria comunidade, através de debates com CPMs, Conselhos Escolares, promovendo debates com todos os segmentos da sociedade. Questionamentos como: qual é a escola do futuro? Uma escola cheia de máquinas e os problemas da educação estarão resolvidos? Creio que não. Não basta investimentos em equipamentos, se não houver investimentos superiores no ser humano: professor e aluno.
A cibercultura por si só não é benéfica nem maléfica. É um veículo apenas, como o automóvel. Se analisarmos o cotidiano e as notícias atuais, não é o veículo automotor que mata cada vez mais jovens no trânsito das grande, médias e pequenas cidades pelo país afora, e sim os condutores que abusam da imperícia, imprudência e a negligência, quando no volante, como se estivessem pilotando um simulador. O teclado, mouse ou joystick apenas reproduzem comandos feitos por seu manipulador. Portanto, a cibercultura é o resultado do meio, que é fruto das pessoas, e assim por diante. Um ciclo que pode ser vicioso ou não.
Diante dessa realidade, nada virtual, o professor deve utilizar as TIC’s (Tecnologias de Informação e da Comunicação), como uma ferramenta e uma aliada no processo de ensino-aprendizagem. Mas, acima de tudo, como um mediador, pois na sociedade da imagem e da informação automática (informática), o aluno pode ser o maior aliado do professor. E não um adversário...
O jovem, em príncípio, parece dominar melhor os meios tecnológicos, mas falta-lhe a vivência, a experiência e a bagagem cultural que o professor carrega consigo. Dessa troca de informações pode-se buscar o "plug and play" (o "ligar e funcionar", tradução livre deste), entre a cibercultura e a educação.

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